O hino do Luís

13 abr 2025, 09:30
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Preparar uma campanha eleitoral para as legislativas tem muito que se lhe diga. Vários passos calculados e pensados para tentar potenciar ao máximo a mensagem que cada partido quer passar ao eleitorado. Escolhas que vão desde os nomes para as listas de deputados, aos slogans dos cartazes de rua e, claro, os hinos de campanha que, uma vez lançados, são músicas de entretenimento constante em almoços, jantares, comícios e afins, até ao fim da campanha.

O país ficou agora a conhecer o novo hino da AD. Há um ano ouvia-se «É tempo de mudar», agora vai ouvir-se «Deixa o Luís trabalhar». À primeira vista pode parecer um remake do famoso hit do “Menino guerreiro”. Só que não. Se a música de Pedro Santana Lopes apelava ao coração, a de Montenegro apela à razão. Ou melhor ainda, ao voto útil na AD. 

A frase vai com certeza dar azo a muitas piadas, opositores vão dizer com ironia que o problema é precisamente o Primeiro-ministro ter trabalhado demais, insinuando que continuou a trabalhar na empresa familiar Spinunviva .

O hino pode ser popularucho e de gosto duvidoso mas a verdade é que nele está  toda a estratégia politica da AD para as eleições. Claramente inspirada no “deixem-nos trabalhar” de Cavaco Silva, a coligação  vai tratar as oposições como “forças de bloqueio” que devem ser derrubadas nas urnas. Com ou sem as palavras todas, ainda chegará um pedido de maioria absoluta “para o Luís poder trabalhar”. 

A estratégia para as eleições é claramente a da vitimização. É verdade que se há crise política ao Governo se deve, por ter apresentado uma moção de confiança destinada ao fracasso. Mas desde o início Montenegro e os seus pares tentam dar a volta ao texto, insistem que é por causa dos bons resultados da governação e não do caso Spinumviva que a legislatura terminou. 

Luís Montenegro quer transformar as eleições num referendo à governação, confiante que o país não tem saudades do PS e que as classes profissionais a quem deu dinheiro não o vão tratar mal. 

O problema é que para a estratégia dar certo, não é preciso apenas vencer. É necessário vencer com margem suficiente para não ficar refém do PS e do Chega.

É por isso que o “deixa o Luís trabalhar”  vai ser entoado à exaustão até 18 de Maio.

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