Primeiro-ministro indigitado irá agora escolher os nomes do próximo governo, com a expectativa de trabalhar nos "próximos quatro anos". Montenegro fala numa maioria relativa, mas "robusta", e não fecha a porta a nenhum partido da oposição. À direita bloqueia, por agora, uma vontade
O primeiro-ministro indigitado, Luís Montenegro, mostrou-se esta quinta-feira disponível para negociar com “todos” os partidos, recusando celebrar qualquer tipo de acordo de governação ou de incidência parlamentar.
No Palácio de Belém, depois de ter recebido a indicação do Presidente da República para formar governo, Montenegro garantiu também que uma das prioridades do novo Executivo não passará pela revisão constitucional.
“Não é uma prioridade do Governo. Lá mais para a frente podemos discutir esse assunto, não o vamos fazer nos próximos tempos, não estamos disponíveis para alimentar essa discussão nesta fase”, afirmou.
Perante a insistência dos jornalistas de quem será o parceiro preferencial para o diálogo daqui em diante, Montenegro insistiu que vai dialogar “com todas as forças políticas”.
“Nós não vamos celebrar nenhum acordo permanente de governação nem de incidência parlamentar com nenhuma força política, vamos dialogar com todas as forças políticas na procura das melhores soluções legislativas e governativas para responder às necessidades das portuguesas e dos portugueses e contamos com todos, como é natural”, adiantou.
Vincando que “o nosso parceiro são as portuguesas e os portugueses”, o primeiro-ministro indigitado apelou ao “sentido de responsabilidade de todos”. “Não excluímos ninguém nesse trabalho”, reforçou.
“Vamos cumprir a nossa responsabilidade de governar”, disse, lembrando que aos restantes partidos cabe a responsabilidade de colaborar com o Governo e de apresentarem propostas alternativas.
Montenegro explicou que vai dedicar os “próximos dias” a escolher os nomes para o próximo Executivo, para dar “sequência àquela que foi a vontade do povo português”. Apesar de "muitos elementos" do anterior elenco governativo, é certo que surgirão novos nomes para a equipa, que irá “projetar o seu trabalho para os próximos quatro anos”.
Montenegro lembrou a “votação expressiva, que ultrapassou os dois milhões de votos” e que garantiu uma distância maior da Aliança Democrática face à segunda força política mais votada.
“Temos uma maioria relativa na Assembleia da República, mas é uma maioria, robusta, com uma expressão muito significativa do ponto de vista da nossa representatividade face à representatividade da segunda e terceira força política”, juntou.
