Quase um mês depois de toda a polémica com a Spinumviva - que ainda não morreu - a coligação que suporta o Governo parece sair beneficiada depois de uma crise política que acabou na rejeição da moção de confiança. No mesmo período o PS desceu e o Chega conseguiu subir
Se as eleições legislativas se realizassem hoje, a AD não só voltaria a ganhar, como reforçaria claramente a sua posição em relação às últimas, realizadas em 2024.
É o que mostra a grande sondagem revelada esta segunda-feira por TVI e CNN Portugal, num trabalho realizado pela Pitagórica entre 24 e 29 de março também para TSF e JN, e que dá conta do fim da situação de empate técnico que se tem verificado ao longo dos últimos meses.
Resultados: voto direto com distribuição de indecisos
Trata-se da maior sondagem realizada até ao momento, sabendo-se que TVI e CNN Portugal têm feito vários inquéritos desde o início do ano. Desta vez não são 400 ou 600 os inquiridos, mas 1.000, o que diminui substancialmente a margem de erro, originando resultados mais fidedignos. No gráfico acima pode ver a evolução ocorrida, com os dois principais partidos a subirem, ainda que a AD, que provavelmente até terá de mudar de nome por causa de uma polémica com o PPM, beneficie mais.
De acordo com a mesma sondagem, a AD obteria hoje 34,4% dos votos (numa flutuação entre os 31,4% e os 37,4%). O partido que sustenta o Governo de Luís Montenegro volta a uma posição de subida, mesmo que não alcance os 35,6% obtidos na sondagem de 23 a 27 de fevereiro, quando ainda não tinha sido noticiada pelo semanário Expresso a ligação da Spinumviva à Solverde e havia apenas conhecimento do chumbo da moção de censura do Chega. Isto num cenário com distribuição de indecisos, que nesta sondagem representaram 18% dos participantes.
Uma semana depois, e ainda antes de se confirmar que uma moção de confiança rejeitada nos atiraria para novas eleições, os portugueses penalizavam o Governo, então com uma descida de 2,1 pontos percentuais, para 33,5%.
Agora, e em sentido contrário, o PS é um dos partidos que desce mais - pior só o PAN -, perdendo um ponto percentual em relação à última sondagem. Isso, conjugado com a subida de 0,9% da AD, resulta na primeira sondagem sem empate técnico.
Embora melhor que na semana que antecedeu a notícia da ligação entre Spinumviva e Solverde, os socialistas não conseguiram capitalizar quase um mês de crise política, descendo de 28,8% para 27,8%. O valor máximo de 30,6% fica a 0,8% do valor mínimo da AD, o que afasta o cenário de empate técnico.
Olhar para 2024
É uma tendência de todas as sondagens realizadas em 2025. A AD sobe sempre relativamente às eleições de há um ano, que ganhou com apenas 0,84 pontos percentuais, o que lhe permitiu obter mais dois deputados que o PS.
Esses 28,84% catapultaram-se para valores acima dos 30%, o que significaria que PSD e CDS conseguiriam ultrapassar novamente essa barreira, mas num resultado que só tem paralelo em 2015, quando a coligação liderada por Pedro Passos Coelho, então primeiro-ministro, obteve 36,86% dos votos, vencendo as eleições que acabariam por resultar num governo apoiado por uma coligação não oficial que Paulo Portas apelidou de "geringonça".
Já o PS não tem muitas razões para sorrir, uma vez que só por uma vez nas cinco sondagens espelhadas acima conseguiu um resultado melhor que o de 2024, que foi de 28%. Os socialistas terão agora de contrariar aquilo que parece ser uma tendência para tentar vencer as legislativas de 18 de maio.
Más notícias também para o Chega. Embora o partido de André Ventura suba 1,5 pontos percentuais em relação à última sondagem, continua bem distante dos 18,07% que lhe permitiram o número redondo de 50 deputados no ano passado. Um resultado que não alcançou em nenhum das cinco semanas, onde os 17,4% do segundo inquérito foram o melhor número.
Com razões para sorrir podem estar Iniciativa Liberal e Livre. Os resultados que ambos obtêm agora não só são melhores que os de 2024, como a votação mínima desta nova sondagem dá alento.
Mesmo em rota de descida em relação à última sondagem, a Iniciativa Liberal consegue alcançar os 6%, um resultado bem melhor que os 4,94% de 2024 ou os 4,91% de 2022. Seria, se se verificasse, o melhor resultado de sempre do partido, que nesta sondagem tem como valor mínimo 4,5%, não muito distante do obtido nas últimas legislativas.
Melhor ainda está o Livre, o partido que mais cresce no espaço de três semanas, com uma subida de 2,8 pontos percentuais, o que permite ao partido de Rui Tavares chegar aos 5,5%, claramente o melhor resultado em sondagens, e que está consideravelmente acima dos 3,16% obtidos em 2024. O resultado mínimo de 4,1% dá ainda mais razão para sorrir ao partido que, segundo este inquérito, passaria a liderar os partidos à esquerda do PS.
Isto porque a CDU subiu, sim, mas pouco, enquanto o Bloco de Esquerda voltou a perder força. Pior mesmo só para o PAN, que fica à beira do desaparecimento, com apenas 0,5%, numa votação que coloca o partido de Inês de Sousa Real atrás até do ADN.
Ficha técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF, JN e O Jogo, com o objetivo de avaliar a opinião dos Portugueses sobre temas relacionados com a atualidade do país. O trabalho de campo decorreu entre os dias 24 e 29 de março de 2025.
A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores Portugueses recenseados e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 1626 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 61,50%. As 1.000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%.
A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.
