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Peter Pan, Lucky Luke, Speedy González e Cebolinha encontraram-se no Parlamento: dispararam sobre o SIRESP e os apoios que tardam

27 mai, 18:45
Luís Montenegro no debate quinzenal (Lusa/ Miguel A. Lopes)
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Situação do SIRESP e resposta aos efeitos do mau tempo na região Centro, a propósito do relatório crítico da Presidência da República, foram os temas fortes do debate quinzenal desta quarta-feira. No sistema de comunicações de emergência, Montenegro atira explicações para o MAI. Na resposta à tempestade Kristin, admite que o "contributo muito válido de Belém" abre margem para ajustes. Cada protagonista político acabou a ganhar uma comparação no universo da banda desenhada. No faroeste que é Portugal, cada um parece viver na sua ficção

Foi um debate pródigo em matéria de banda desenhada. E a culpa cai sobre Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, que se apoiou nas comparações para atacar os líderes da oposição.

“André Ventura faz-me lembrar o Lucky Luke e José Luís Carneiro o Speedy González. É tal a pressa como disparam, a forma rápida como vivem da espuma dos dias”, atirou.

A partir daí, os clássicos dos quadradinhos multiplicaram-se. Luís Montenegro traçou o confronto no faroeste da política nacional. “Não somos daqueles que disparam primeiro e pensam a seguir, que disparam mais rapidamente do que a sua própria sombra”. A ideia era a mesma: a oposição julga primeiro, avalia depois.

Faltava entrar em cena André Ventura, que também encontrou uma personagem para Hugo Soares: “Não sei se se lembram do Cebolinha, aquele que nunca trazia nem fazia nada de novo, mas queria ser sempre o maior da rua dele”.

Eis então que o primeiro-ministro acusa Ventura de viver “no domínio da ficção” no retrato que faz da resposta do Governo aos efeitos do mau tempo”. Mas o presidente do Chega logo encontra resposta, a propósito de comparações do executivo entre as economias portuguesa e alemã: “Se Hugo Soares é o Cebolinha, o senhor primeiro-ministro é o Peter Pan, que vive na Terra do Nunca”.

Hugo Soares definiu o tema da banda desenha (Miguel A. Lopes/Lusa)

SIRESP: sem relatório, Montenegro atira explicações para MAI

Há um protagonista claro deste debate quinzenal: o SIRESP. Com a escolha de Paulo Viegas Nunes, que terá estado na origem de uma outra demissão no MAI, Ventura veio dizer que “nomeamos para o mesmo lugar o homem que lá estava quando tudo correu mal”. “Estamos a dar um prémio à incompetência”, acusou. Montenegro apressou-se a clarificar a cronologia, a dizer que o rival “lança a confusão, mistura tudo”.

Ventura foi, por fim, direto ao assunto: “Tem conhecimento de um email da adjunta do MAI a procurar alterar as conclusões do relatório?”. “Não tenho”, reagiu Montenegro. “Não me parece que esteja a dizer a verdade ao Parlamento”, contrapôs o líder do Chega.

O mesmo relatório a que os liberais pediram acesso para poder “discutir com seriedade”. A resposta de Montenegro foi sempre a mesma: o ministro da Administração Interna irá ao Parlamento dar “todos os esclarecimentos” sobre o documento, a equipa diretiva e a concretização no terreno. Ainda assim, garantiu, as mudanças estão em curso.

Sobre a preparação da época de incêndios, Montenegro falou num “empenhamento reforçado”, com mais de 15 mil operacionais. E foi aqui que, apesar dos ataques socialistas, viu estender-se uma mão: a de José Luís Carneiro, que está disponível para “planear e responder como deve ser às necessidades que o país vai viver em função das previsões meteorológicas”.

Carneiro disponível para apoiar Governo na prevenção de incêndios (Miguel A. Lopes/Lusa)

Relatório de Belém é "muito válido" e abre margem para ajustes "aqui e acolá"

O relatório da Presidência da República que avalia a resposta do Governo no terreno aos efeitos da tempestade Kristin disputou o protagonismo neste debate. Para Montenegro, o documento é “um contributo muito válido”, “que está praticamente todo incluído naquele que é o desenho e a implementação do PTRR”, embora sempre com possibilidade de aprimorar “aqui ou acolá” as “regras de coordenação”.

Perante as críticas das várias bancadas, Montenegro acabou a reconhecer a insatisfação com a demora na distribuição dos apoios, lamentando a incapacidade de resposta dos municípios. Para tal, insistiu, o executivo fará a sua parte, disponibilizando “uma bolsa de técnicos. “Quando há obra, é obra de todos. Quando falham, são eles que falham”, atirou Ventura, falando num “falhanço em toda a linha”.

Ventura não poupou nos ataques (Miguel A. Lopes/Lusa)

Um "zombie legislativo" de que até o Papa ia discordar

Foi a escolha para abrir o debate: o pacote laboral. Aproveitando da admiração pública que Montenegro tem pelo Papa, o Livre, com Isabel Mendes Lopes, notou que o executivo governa “ao contrário” da doutrina católica.

Oportunidade para, na resposta, Montenegro acusar toda a oposição de “imobilismo”. “Disse sempre: quem tem a palavra final são os deputados da Assembleia da República”, afirmou.

Muitos foram os apelos, sem sucesso até agora, para que o Governo deixe cair este pacote, que também haveria de ganhar uma comparação digna de personagem de banda desenhada, na voz de Fabian Figueiredo do Bloco de Esquerda: “um zombie legislativo que o primeiro-ministro insiste em ressuscitar na Assembleia da República”.

PS acusa Governo de "teimosia" e acaba confrontado com o passado

O secretário-geral do PS apostou na subida do custo de vida, tanto no supermercado como nos combustíveis, lamentando que o Governo tenha ignorado as ideias socialistas. “Insensibilidade e teimosia”, resumiu.

“Estamos atentos à situação, mas aqueles que correm muito depressa para resolver problemas que têm diante de si, sem ponderar a dimensão da consequência daquilo que estão a fazer, normalmente são aqueles que, de mão estendida, pedem ajuda externa para resolver os problemas que não foram capazes de gerir. Esse não é o nosso caso”, atirou Montenegro.

Isto num debate muito marcado sobre rapidez da resposta aos problemas das famílias, onde o PS voltaria a ser atacado com o seu próprio passado: “O Governo socialista, do qual o senhor deputado fez parte teve uma taxa de inflação mais do dobro do que a atual e demorou mais de um ano a tomar medidas. Medidas que agora o PS reclama que sejam tomadas numa semana”.

E sobre ritmos de governação. Montenegro acabou a comparar o Governo a um “corredor de fundo” após as críticas de Passos, que pediu “um pouco mais de ritmo” na política nacional. Foi o comunista Paulo Raimundo quem trouxe o episódio para o hemiciclo.

“Vou-lhe confessar: sou a única pessoa neste Parlamento solidária com o primeiro-ministro. Aqueles que dizem que o senhor não tem ritmo, ai que ritmo que tem”, numa referência ao “desmantelamento” do Estado social.

“Somos corredores com 'endurance', somos corredores de fundo, somos corredores que sabem que para chegar ao fim numa maratona não se pode ‘sprintar’ nos primeiros tempos, nem se pode ir demasiado devagar e deixá-los fugir e depois não os conseguir alcançar”, argumentou Montenegro.

Montenegro procurou traçar retrato dos feitos da governação (Miguel A.Lopes/Lusa)

Suspensão de controlo de fronteiras em cima da mesa

O primeiro-ministro reconheceu não estar satisfeito “com o nível de resposta que o sistema tem dado quando há picos de chegada”, salientando não se tratar de “um problema exclusivo” de Lisboa.

“Estamos a fazer tudo para habilitar com mais recursos humanos, entrarão mais de 300 polícias para funções dessa natureza no final do mês de junho”, assim como uma revisão dos contratos de sistemas informáticos, apontou.

O sistema, disse, poderá ser suspenso “nas horas críticas”: “Não queremos chegar ao ponto de suspender procedimentos, mas se o tivermos de fazer, mormente em horas críticas, ao abrigo das regras que os nossos compromissos europeus também permitem, nós fá-lo-emos enquanto todo este mecanismo não tiver um funcionamento absolutamente normal”.

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