"Ó homem, o que é que vai fazer para resolver o problema da saúde?", chama Ventura ao primeiro-ministro

CNN Portugal , MJC
5 dez 2025, 15:24

"Concordará que a expressão homem é um bocadinho para além do razoável", intervém o vice-presidente da Assembleia. A sala agita-se, mas Marcos Perestrello pede "calma": "O senhor deputado concorda comigo. Às vezes nós execedemo-nos e agora o senhor deputado excedeu-se um pouco"

O líder do Chega, André Ventura, chamou para o debate quinzenal no Parlamento "a brutal guerra civil que a saúde enfrenta", dando como exemplo o Hospital Amadora-Sintra onde na quinta-feira a espera para atendimento nas urgências chegava às 18 horas. "Isto não é humano", diz, lembrando ainda os 1,5 milhões de pessoas sem médico de família.

"O que é que interessa se estamos a crescer 2%, 3% ou 4% a quem não tem médico?", pergunta. "As pessoas estão sem acesso à saúde", alega Ventura, referindo que os “doentes a aguardar cirurgia, fora dos tempos máximos, aumentam 20%” e que há “mais de 20 mil utentes” à espera de cirurgias oncológicas. "Neste Orçamento do Estado, que acabaram de aprovar com o PS, o Governo reduz em 10% - 10% num serviço já caótico - o apoio a exames, a medicamentos e a transporte de doentes. Senhor primeiro-ministro, isto não é humano. Não é humano de um Governo que diz ser humanista, não é humano de um Governo que diz que quer resolver problemas."

"Ó homem, o que é que vai fazer para resolver o problema da saúde?", pergunta a determinada altura Ventura, exaltado, dirigindo-se a Luís Montenegro. O vice-presidente da AR intervém: "Concordará que a expressão homem é um bocadinho para além do razoável." A sala agita-se neste momento. "Calma, senhores deputados. O senhor deputado concorda comigo. Às vezes nós execedemo-nos e agora o senhor deputado excedeu-se um pouco."

Na resposta, Luís Montenegro reconhece que “há problemas de acesso ao SNS” que “há que resolver”, mas que também “há coisas que correm bem”. O primeiro-ministro considera que a situação nas urgências do Amadora-Sintra se tratou de "um pico de aumento de um tempo de espera específico", que poderá repetir-se. "Foi ontem e vai acontecer hoje e vai acontecer na próxima semana. Se o senhor deputado quiser aproveitar esse caso concreto vai sempre ter um exemplo para apresentar", diz, garantindo no entanto que existe “tendência de redução”.

De seguida, o primeiro-ministro salienta que "de janeiro a outubro de 2025 o SNS registou uma redução global de 37% no número de dias de encerramento das urgências hospitalares" e entre "janeiro a agosto" houve uma diminuição "de 16% do tempo de espera".

"Há um grande esforço que tem vindo a ser feito neste ano e oito meses em que exercemos funções com vista precisamente a inverter as tendências que aqui o senhor deputado quis anunciar", sustenta o primeiro-ministro.

Relativamente aos médicos de família, diz que foi atribuído médico de família "a mais 305.883 utentes", mas "ingressaram no SNS mais 258.762 novos utentes", por isso é que "o número se mantém tão elevado". Sobre as cirurgias, assinala que "entre janeiro e outubro de 2025" foram feitas "mais 5,9%" e no que toca às oncológicas há "391 casos que ainda estão a aguardar agendamento por razões clínicas, que não estão em condições de poderem ser agendadas as respetivas cirurgias". 

"Quer isto dizer que não houve picos? Que não houve dias que tiveram problemas? Houve! Houve constrangimentos. Há constrangimentos", admite Montenegro, sustentando que "não é possível" solucionar esta questão de "um dia para o outro ou mesmo de um ano para o outro".

"É evidente que nós temos muitos problemas para resolver no nosso Serviço Nacional de Saúde e do nosso sistema de saúde como um todo. E é evidente que temos de resolver problemas de acesso ao Serviço Nacional de Saúde. Como também é evidente que há muita coisa, mas mesmo muita, que corre bem no Serviço Nacional de Saúde. Eu até devo dizer que a grande maioria dos tratamentos, dos cuidados de saúde, correm bem. Correm bem no acesso e correm bem na substância, não há dúvida nenhuma", conclui.

André Ventura não se conforma com a constatação de que situações como as do Amadora-Sintra aconteçam. "Então, se acontece, é por incompetência vossa", atira Ventura, salientando que estas situações não se podem repetir e que são sinal "do fracasso do Governo na saúde". “Dê-nos uma luz de que está a fazer alguma coisa e que ministra da Saúde vale o salário que ganha”, conclui o líder do Chega.

Relacionados

Partidos

Mais Partidos