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CEO da Sociedade Ponto Verde

Davos 2023, mudar o que já devia ter sido mudado

20 jan, 11:44

A transição verde tem de ser um tema em destaque na nossa agenda atual e tratada como uma prioridade

“Cooperação num mundo fragmentado”. Foi este o mote escolhido para o encontro anual do Fórum Económico Mundial, em Davos. Um encontro que engloba os mais diversos e relevantes líderes dos quatro cantos do globo cujo objetivo passa por discutir o futuro da economia global.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres e o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, são dois dos portugueses que marcam presença neste evento que reúne mais de 2700 participantes, dispersos pelo setor política, banca, executivo ou académico.

Sabemos que o mundo enfrenta inúmeros desafios relacionados com os mais diversos âmbitos sociais. A inflação, a guerra na Ucrânia, o aquecimento global ou o cenário pós pandémico são apenas alguns destes exemplos. No meio de todas estas “catástrofes”, se dúvidas houvesse relativamente à importância da transição verde em 2023, a presença das mais importantes autoridades mundiais, em Davos, dissipou-as, mostrando que é um tema cada vez mais urgente e que não pode ser esquecido.

É certo que alguns países apresentam metas mais ambiciosas que outros. Peguemos no exemplo apresentado por Ursula Von Der Leyen nos últimos dias. No seu discurso, a presidente da Comissão Europeia afirmou que países como a China ou os Estados Unidos têm feito um impulso à inovação tecnológica limpa - através de veículos elétricos ou painéis solares. E, mesmo a Europa tendo um cartão de visita sustentável bastante mais comprometido relativamente a estas duas potências, para não perder o comboio da competitividade internacional, precisa de investir ainda mais neste tipo de tecnologias. Não só com vista a tornar-se autossuficiente, mas também para conseguir competir com robustez face a novas práticas comerciais que decorrem da revisão estratégica da globalização das cadeias de valor.

A transição verde tem de ser um tema em destaque na nossa agenda atual e tratada como uma prioridade, pelo facto de ser o garante do nosso futuro e uma necessidade do nosso presente. Nos alpes franceses, por exemplo, a neve demorou mais do que o esperado para chegar, este ano, impactando, de forma significativa a economia dos que mais dependem na neve em épocas que assinalam uma presença intensa de turistas. Revisitando também o que acontece em diversos países africanos, são múltiplos os casos de pessoas que são obrigadas a deixar as suas casas devido aos impactos das alterações climáticas e, a continuar assim, a tendência para aumentar é grande, visando outros continentes.

Olhando cirurgicamente para o que aqui escrevo é crucial usarmos encontros como o fórum económico mundial, eventos com um mediatismo elevado, como uma oportunidade de mudar o que já devia ter mudado há muito tempo. É certo que o passado ninguém tem o poder de mudar, porém, se cooperarmos e pensarmos coletivamente, certamente o futuro será melhor.

As políticas ambientais são necessárias e acima de tudo funcionam. A recuperação da camada de ozono revela que o esforço coletivo em prol da proteção do meio ambiente compensa e traz dividendos às nossas futuras sociedades. E, talvez seja a prova que muitos precisem, para começarem a tratar este tema com a importância devida. A transição para uma economia verde é uma pauta que engloba diversas áreas. Para tal, é necessário existir um “approach” multidisciplinar, com líderes comprometidos a agirem para mudar o mundo, transformando-o num sítio melhor para se viver.

Cuidar do futuro é essencial e só com a cooperação de todos será possível fazer a diferença. É hora de colocar as diferenças de lado, as oposições de parte e unirmo-nos.

Hoje, o significado de cabo das tormentas é outro e para o dobrar precisamos de uma tripulação mais unida que nunca e que, acima de tudo, reme em direção a uma Boa Esperança: um futuro para as nossas sociedades.

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