O autor de obras como "O Mundo é Pequeno" e Um Almoço Nunca É de Graça" tinha 89 anos
O escritor e crítico britânico David Lodge morreu aos 89 anos.
Escreveu mais de duas dúzias de romances e obras de não ficção, argumentos de televisão e peças de teatro. Esteve pré-selecionado para o prémio Booker duas vezes, primeiro com o romance "O Mundo é Pequeno", de 1984, e depois com "Um Almoço Nunca é de Graça", de 1988 - duas obras que, juntamente com "A Troca", integraram a trilogia dedicada ao mundo universitário.
De acordo com a editora Vintage Books, do grupo editorial Penguin Random House, Lodge morreu pacificamente em sua casa, rodeado da família. Em comunicado, a editora sublinha o “sucesso internacional e a influência literária” do percurso de David Lodge, um escritor “fascinado por tudo o que a palavra escrita poderia alcançar”.
We are extremely sad to hear of the death of our revered long-time author David Lodge. Our thoughts are with his children and family. His influential place in the history of British letters will endure through the wonderful body of work he leaves behind.
— Vintage Books (@vintagebooks) January 3, 2025
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Lodge nasceu em 28 de janeiro de 1935 em Dulwich, sul de Londres, e cresceu em Brockley, que descreveu como um lugar "um tanto decadente e negligenciado de Londres". Frequentou uma escola católica em Blackheath, onde o diretor o encorajou a ir para a universidade. Formou-se com nota máxima na University College London e depois cumpriu o serviço militar. Durante um ano, trabalhou para o British Council em Londres, ensinando inglês a estudantes estrangeiros.
Em 1959, aos 24 anos, casou-se com Mary Jacob, que tinha conhecido aos 18. Ficaram juntos até à morte dela, em 2022.
Antes de se dedicar à escrita, David Lodge foi professor no departamento de inglês da Universidade de Birmingham, entre 1960 e 1987. Em 1960, publicou o seu primeiro romance, "The Picturegoers", que tinha começado a escrever enquanto estava no exército.
Entre as suas obras mais conhecidas contam-se ainda "O Museu Britânico Ainda Vem Abaixo" (1965), "Notícias do Paraíso" (1992), "Terapia" (1995) e "Autor, Autor" (2004). Também escreveu uma trilogia de memórias, publicadas entre 2015 e 2020.
Em 1998 foi condecorado pela coroa britânica pelos serviços prestados à literatura contemporânea.
"A sua contribuição para a cultura literária foi imensa, tanto com a sua crítica como com os seus romances magistrais e icónicos que já se tornaram clássicos", disse a editora de Lodge, Liz Foley: "Ele era também uma pessoa muito gentil, modesta e divertida".
Lodge “era um verdadeiro cavalheiro”, disse o seu agente literário Jonny Geller, citado pelo The Guardian. “Caloroso, generoso e gentil, e um almoço com David envolveria gargalhadas e conversas sérias sobre a escrita contemporânea. Os comentários sociais, meditações sobre a mortalidade e observações hilariantes fazem dele uma adição valiosa ao panteão de grandes escritores cómicos ingleses que o liga a Wodehouse, Waugh, Amis e outros."