Morreu David Hockney

CNN Portugal , MJC
12 jun, 11:04
Nova exposição de David Hockney [Reuters]
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O conceituado artista britânico, de 88 anos, seguia uma regra simples: "Pinta as coisas que amas"

O artista britânico David Hockney, um dos artistas contemporâneos mais influentes do mundo, morreu esta quinta-feira, na sua casa, em Londres. Tinha 88 anos.

Talvez mais conhecido pelas pinturas que exploram a sua vida no norte de França e a sua época na Califórnia, o seu trabalho centrou-se frequentemente em retratos pessoais de amigos e familiares.

Ao longo da sua carreira, usou caneta, lápis, lápis de cera e colagem fotográfica, até que nos últimos tempos realizou também obras digitais criadas em iPads, que levaram o seu talento a um público novo e mais jovem.

"Um génio em praticamente todos os meios, trabalhava com tinta, fotografias e iPads. Fazia gravuras, litografias e até vitrais – sentindo-se igualmente à vontade com a grandiosidade do design de ópera e a intimidade da caneta e da tinta", escreve a BBC no obituário do artista.

Seguia uma regra simples: "Pinta as coisas que amas".

Foi assim que incendiou o mundo da arte na década de 1960 e encheu galerias de arte mais de meio século depois. Em 2018, uma das suas pinturas de piscinas foi vendida por quase 70 milhões de libras num leilão (mais de 92 milhões de euros) – um recorde para um artista vivo. 

"Portrait of an Artist (Pool With Two Figures)", de David Hockney (DR)

David Hockney nasceu a 9 de julho de 1937. O seu pai, Kenneth, era um objetor de consciência que detestava a injustiça social, as armas nucleares e o tabagismo. A sua mãe, Laura, era uma devota metodista. David era um de cinco filhos numa uma família que vivia numa pequena casa geminada em Bradford. Durante os bombardeamentos, escondiam-se debaixo da escada, agarrados às bíblias. Em 1940, uma explosão arrasou a rua.

Começou a pintar ainda em criança, apesar da escassez de papel durante a guerra que o levou a produzier os seus primeiros trabalhos no chão da cozinha ou da igreja. Aos 16 anos começou a frequentar a escola de artes, a que se seguiu o Royal College of Art, em Londres. 

A década de 1960 foi marcada pela Pop Art e pelo Expressionismo Abstrato, mas Hockney não seguiu a tendência. O que lhe interessava era a política, a literatura e explorar a sua homossexualidade, e esses eram os temas principais das suas obras. Em 1964, mudou-se para Los Angeles em busca da luz perfeita e dos torsos bronzeados que vira nas revistas masculinas americanas.

Hockney ficou fascinado. Abandonou as britânicas tintas a óleo em favor das vibrantes tintas acrílicas californianas. Pintou os edifícios que via à sua volta, as piscinas - que se tornaram icónicas na sua obra -, os céus sem nuvens. "A Bigger Splash" é a sua obra mais conhecida.

Quando regressou a Londres, quatro anos depois, os agentes alfandegários confiscaram as suas revistas pornográficas. O artista lançou uma forte campanha contra a censura até que o ministro do Interior, James Callaghan, interveio e as revistas foram devolvidas.

Viveu depois em Paris. Na década de 1970, ficou fascinado pela câmara Polaroid, criando centenas de colagens. Mais tarde, realizou exposições com obras de arte criadas por fotocopiadoras e máquinas de fax. No final dessa década, David Hockney era um dos artistas mais celebrados do mundo.

Hockney tinha uma ética de trabalho protestante, e isso notava-se. Trabalhou incansavalmente até ao fim. "Se se cansasse de desenhar, Hockney tirava fotografias, fazia gravuras ou criava óperas. Era atormentado pela sensação de que não estava a fazer o suficiente", escreve a BBC.

A epidemia de sida da década de 1980 roubou muitos amigos a Hockney. Numa viagem a Nova Iorque, visitou três hospitais para se despedir. Mais uma vez, entregou-se ao trabalho, pintando obsessivamente retratos dos seus amigos.

Nos anos 90, quando as novas tecnologias invadiam a arte, Hockney regressou à pintura. Mudou-se para Bridlington, onde viviam a irmã e a mãe, e começou a pintar as colinas de Yorkshire Wolds. Neste últimos anos, as suas enormes pinturas de paisagens e plantas tornaram-se inconfundíveis.

Em 2025, foi inaugurada em Paris uma grande retrospetiva da sua obra. Estão neste momento a ser planeadas mais exposições, incluindo uma grande exposição na Tate Modern para celebrar o que seria o seu 90.º aniversário em 2027.

O artista David Hockney fotografado em 2012 (EPA)
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