"Devastador": revelados mais factos sobre David Carrick, o polícia que confessou ser um violador em série

16 jan, 18:52
David Carrick (Hertfordshire Police via AP)

REINO UNIDO Mesmo após múltiplas denúncias e investigações, o agente pôde sempre continuar a trabalhar

49 crimes, incluindo mais de duas dezenas de violações: foram estes os delitos que David Carrick confessou ter cometido entre 2003 e 2020. Os crimes são chocantes por si só, mas ainda mais no caso deste homem de 48 anos: David Carrick trabalhava na Polícia Metropolitana de Londres (Met Police) desde 2001.

Violador em série, totalizando 12 vítimas, Carrick foi apenas detido em outubro de 2021, após a condenação de outro agente da Met Police, Wayne Couzens, pelo rapto, pela violação e pelo homicídio de Sarah Everard, uma jovem de 33 anos, em março desse ano.

Motivada pela sentença atribuída a Couzens (prisão perpétua sem possibilidade de saída condicional), uma das vítimas descreveu às autoridades os seus encontros com Carrick, que conheceu em 2020 através do Tinder. Segundo a BBC News, a mulher contactou a polícia de Hertfordshire, onde David Carrick cometeu a maior parte dos seus crimes, e contou como o homem a embebedou e violou num hotel, não sem antes lhe ter dito que pretendia conhecer uma “mulher submissa”.

Carrick inicialmente negou mas, com o seu nome já público, várias outras mulheres denunciaram-no. “Foi como uma bola de neve”, disse o detetive Iain Moor, da Polícia de Hertfordshire, que comandou a investigação.

O primeiro crime conhecido de Carrick data de 2003, perto do final do seu período probatório na Met Police. A vítima descreveu ter sido ilegalmente aprisionada e violada, além de ter sido ameaçada com uma falsa arma de fogo.

Ao longo dos anos seguintes, Carrick fez mais vítimas e apresentou um comportamento controlador. A BBC News afirma que o homem chamava “prostitutas” às mulheres que violava, ditando o que deveriam vestir e comer, bem como onde deveriam dormir. Algumas mulheres foram proibidas de falar com outros homens e com as próprias crianças.

David Carrick também submetia as suas vítimas a tratamentos degradantes, desde chicoteá-las com um cinto e urinar sobre elas. Uma das denunciantes foi mesmo trancada num pequeno armário.

Iain Moor afirma que o violador alimentou estas relações para “satisfazer as suas necessidades de humilhação e controlo”. “Ele tirava grande prazer em humilhar as suas vítimas”, disse, citado pela BBC News.

Estes factos não eram conhecidos pelas autoridades, mas os seus superiores já sabiam que David Carrick apresentava um comportamento desviante. Em 2002, no início de carreira, foi investigado pela própria Met Police por assediar e agredir uma ex-companheira. Do caso não resultou qualquer acusação. Carrick enfrentou outras acusações de violência doméstica nos anos seguintes mas, mesmo assim, passou incólume durante um processo de veto levado a cabo pela sua força em 2017.

Contudo, em 2019, enfrentou uma nova denúncia, desta vez por ter apertado o pescoço a uma mulher. A Met Police foi notificada mas optou por não abrir um processo por conduta imprópria.

O exemplo mais gritante de ausência de ação chegou no verão de 2021, meses antes da denúncia que espoletou dezenas de outras revelações. Carrick foi detido pela Polícia de Hertfordshire, acusado de violação, mas a Met Police permitiu que continuasse a trabalhar, embora com funções mais restritas. A BBC News escreve que o agente estava a preparar-se para voltar ao ativo de forma normal quando se deu a denúncia de outubro.

A comissária assistente Barbara Gray, da Met Police, afirma que as autoridades “deveriam ter dado notado o seu comportamento abusivo” e que Carrick deveria ter sido suspenso de funções. "É devastador, estamos a trabalhar arduamente para ganhar a confiança de mulheres e raparigas de toda a cidade de Londres. Hoje, as forças policiais deram um passo atrás”, afirmou, citada pela televisão pública do Reino Unido.

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