A análise ao processo Influencer revela que o Ministério Público só avançou para a investigação de eventuais contrapartidas financeiras meses após a operação de buscas e detenções que marcou o caso
A radiografia feita pela TVI e CNN Portugal ao processo Influencer, com acesso a mais de 20 mil páginas de todos os volumes da investigação nos últimos dois anos e meio, revela que só após a operação de buscas e de detenções que fez cair o governo é que, num alegado caso de corrupção e tráfico de influências, o Ministério Público decidiu seguir o rasto de eventuais contrapartidas nas contas dos visados.
A operação avança em novembro de 2023, provocando um terramoto político face às detenções nomeadamente do chefe de gabinete do primeiro-ministro - além de buscas a ministros como João Galamba e Duarte Cordeiro - mas só em janeiro de 2024, dois meses depois, é que os procuradores do DCIAP decidiram quebrar o sigilo bancário e fiscal dos suspeitos - com pedidos de informação a várias entidades sobre fluxos financeiros que revelassem alegados recebimentos de subornos relacionados com a licença de construção do data center de Sines.
As respostas das entidades bancárias chegaram meses depois, sem revelar quaisquer transferências suspeitas - o que deixou o Ministério Público, quanto a contrapartidas, apenas e só com o que já tinha até à operação: ofertas de almoços e jantares, alguns de elevado valor.