Novas imagens revelam o momento do impacto da nave espacial da NASA com um asteroide

CNN , Por Ashley Strickland
28 set, 14:27

Fez-se história na segunda-feira à noite, quando a sonda do Teste de Redirecionamento Duplo de Asteroides da NASA embateu com sucesso no asteroide Dimorphos. A câmara do DART partilhou imagens dramáticas da superfície do asteroide antes da colisão.

Agora, novas imagens captadas por um companheiro, um satélite cúbico conhecido como LICIACube, revelam como foi o impacto visto por outra perspetiva.

Vê-se no fundo uma nuvem de material a elevar-se da superfície do Dimorphos após o impacto do DART. (Imagem ASI/NASA)

O CubeSat Ligeiro para Imagiologia de Asteroides, fornecido pela Agência Espacial Italiana, tem o tamanho aproximado de uma mala de negócios. Foi lançado pela sonda do DART a 11 de setembro e viajou atrás dela para registar o evento a uma distância segura de 55 quilómetros.

Três minutos após o impacto, o CubeSat voou perto do Dimorphos – que orbita um asteroide maior, o Didymos – para captar imagens e vídeo.

A série de imagens apresenta material brilhante a libertar-se da superfície do Dimorphos após a colisão. Em primeiro plano temos o Didymos.

O impacto fez todo o sistema de asteroides reluzir ao apanhar luz do Sol. (Imagem ASI/NASA)

“Aqui estão as imagens captadas pelo @LICIACube da primeira missão mundial de defesa planetária. Foi precisamente aqui que terminou a #NASA #DartMission. A emoção é incrível, é o começo de novas descobertas”, leu-se num tweet da Argotec Space, a empresa italiana que desenvolveu o CubeSat para a Agência Espacial Italiana.

A superfície do asteroide em forma de ovo, coberta por rochas, era semelhante a Bennu e Ryugu, dois outros asteroides visitados por sondas nos últimos anos. Os cientistas acreditam que o Dimorphos é um asteroide que consiste numa pilha de detritos composta por rochas fracamente unidas.

A equipa da missão está ansiosa por saber mais sobre a cratera de impacto deixada pelo DART, que estimam ter entre 10 a 20 metros de dimensão. Pode inclusive haver pedaços da sonda na cratera.

A colisão intencional, que teve lugar a 11 milhões de quilómetros da Terra, foi a primeira tentativa humana de desviar um asteroide.

Nem o Dimorphos nem o Didymospose constituem uma ameaça para a Terra. Mas a análise da medida em que a sonda do DART conseguiu alterar o movimento do Dimorphos pode dar mais informações sobre as técnicas para proteger a Terra caso uma rocha espacial venha em rota de colisão.

Vai demorar cerca de dois meses até que as observações dos telescópios terrestres determinem se o DART teve sucesso ao reduzir ligeiramente a órbita do Dimorphos à volta do Didymos. Observatórios como o Virtual Telescope Project de Roma já estão a partilhar a sua perspetiva sobre a colisão.

Os astrónomos do observatório Les Makes na ilha francesa da Reunião, no Oceano Índico, também partilharam uma sequência de imagens que mostra o asteroide a iluminar-se com o impacto, e também uma nuvem de material que se libertou da superfície posteriormente. A nuvem deslocou-se para leste e dissipou lentamente, segundo a Agência Espacial Europeia.

O observatório Les Makes é uma estação colaborativa do Gabinete de Defesa Planetária da ESA e o Centro de Coordenação de Objetos Próximos.

Um vídeo das observações partilhadas pelo observatório condensa cerca de 30 minutos de imagens em poucos segundos.

“Algo deste tipo nunca tinha sido feito e não temos bem a certeza do que esperar. Foi um momento emocional para nós quando as imagens chegaram”, disse numa declaração Marco Micheli, astrónomo do Centro de Coordenação de Objetos Próximos da ESA.

À medida que astrónomos de todo o mundo se preparam para estudar as suas observações do sistema de asteroides após o impacto, a missão Hera da ESA prepara-se para uma visita futura ao Didymos e ao Dimorphos.

A Hera será uma missão de acompanhamento, com lançamento previsto para 2024.

“Os resultados do DART irão preparar-nos para a visita da Hera ao sistema binário do Didymos para examinar os efeitos deste impacto daqui a alguns anos”, disse Ian Carnelli, Diretor da Missão Hera. “A Hera irá ajudar-nos a compreender o que aconteceu ao Dimorphos, o primeiro corpo celeste a ser comprovadamente desviado pela humanidade.”

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