Daniela Klette era uma das últimas figuras do grupo que ficou conhecido como Baader-Meinhof
Uma mulher suspeita de pertencer a um grupo militante de esquerda alemão, que já foi considerada uma das mulheres mais procuradas da Europa, foi condenada a 13 anos de prisão por crimes cometidos enquanto foragida.
O tribunal regional de Verden, na Baixa Saxónia, considerou Daniela Klette, de 67 anos, culpada de múltiplos crimes de roubo qualificado, extorsão e posse ilegal de armas, delitos cometidos entre 1999 e 2016, período em que esteve fugida às autoridades após a dissolução oficial do grupo militante Fração do Exército Vermelho (RAF).
Consta que Klette cometeu estes crimes em conjunto com dois alegados cúmplices, Ernst-Volker Staub e Burkhard Garweg. Ambos são também ex-membros da RAF e continuam em fuga.
A sentença provocou indignação entre alguns espectadores presentes no tribunal, que gritaram "Liberdade para Daniela", informou a estação alemã Deutsche Welle. Segundo a estação, Klette conta com o apoio de alguns círculos de extrema-esquerda do país.
Klette ainda não foi julgada nem sentenciada pelos crimes que alegadamente cometeu enquanto servia na RAF, os quais serão tratados num processo judicial separado. Ela não admitiu explicitamente ter sido membro da RAF.
A RAF, também conhecida como grupo Baader-Meinhof, surgiu de um movimento estudantil de esquerda radicalizado na Alemanha Ocidental, no final da década de 1960. O grupo cometeu crimes violentos ao longo das décadas de 1970 e 1980, incluindo atentados bombistas, raptos e tiroteios, com o objetivo de desmantelar o sistema capitalista e o que consideravam ser o imperialismo ocidental.
Políticos da Alemanha Ocidental, bem como figuras proeminentes do mundo bancário, militar e empresarial, foram visados, e 34 pessoas foram mortas, incluindo o presidente do Dresdner Bank, Jürgen Ponto, e o procurador-federal Siegfried Buback.
Apesar de ser a única mulher classificada como "perigosa" na lista dos mais procurados da Europol, conseguiu escapar à deteção das autoridades durante quase metade da sua vida.
Klette esteve em fuga durante quase 30 anos até que, em fevereiro de 2024, foi localizada e detida num bairro de Berlim, onde vivia há anos uma vida aparentemente normal sob o nome falso de Claudia Ivone.
