Mulher que acusa Daniel Alves de violação não quer indemnização, quer justiça

22 jan, 10:21
Daniel Alves detido em Espanha (Getty)

Jogador brasileiro apresentou três versões diferentes à polícia, o que está a complicar o caso para o seu lado

A jovem que acusa o futebolista Daniel Alves de violação renunciou a uma indemnização. De acordo com o jornal El País, a decisão da alegada vítima, de 23 anos, surgiu já depois de a juíza que tomou conta do caso lhe ter recordado que teria direito a uma compensação em caso de condenação do jogador brasileiro, uma vez que estariam em causa lesões físicas e danos morais.

A recusa foi justificada com aquilo que a vítima defende ser o seu único objetivo, justiça, o que considera que só acontecerá com uma condenação de prisão efetiva para Daniel Alves.

Para já o jogador brasileiro, que em Espanha já representou Sevilha e Barcelona, continua detido em prisão preventiva, enquanto o caso continua em investigação.

Essa decisão foi tomada pela mesma juíza após a audição da vítima e do suspeito, tendo também por base os indícios recolhidos pela polícia, que investiga o que aconteceu na noite de 30 de dezembro na casa de banho da zona VIP de uma discoteca de Barcelona.

O auto de detenção refere que a mulher foi “contundente” e “coerente”, não tendo apresentado contradições no seu testemunho.

As três versões do jogador

Um dos principais motivos para a juíza ter decretado a prisão preventiva sem direito a fiança está relacionado com os diferentes testemunhos de Daniel Alves. O jogador falou em três cenários diferentes, alterando sempre a versão e não conseguindo manter a coerência no relatar dos factos.

Ainda em liberdade, na rádio Antena 3, o brasileiro garantiu que não conhecia a vítima e que apenas se tinha cruzado com ela na casa de banho da discoteca Sutton, ainda que sem qualquer tipo de contacto. Uma versão que manteve nas primeiras declarações que fez às autoridades. Só que, ainda na mesma conversa, e num interrogatório de 45 minutos, alterou a versão: afinal a rapariga ter-se-à atirado para cima dele quando estava sentado na casa de banho. Mas houve ainda outra versão: os dois terão tido relações sexuais consentidas, com o jogador a referir que não o tinha dito para proteger a mulher.

Os autos que a polícia recolheu apontam que Daniel Alves esteve quase sempre com a vítima, a qual terá levado pela mão para a casa de banho, algo que foi confirmado pelas imagens das câmaras de segurança da discoteca, segundo o El Periódico. As duas versões de Daniel Alves ficam, assim, colocadas em causa.

Os vários testemunhos de pessoas que estavam no local também não ajudam o brasileiro. Entre eles estão amigos da vítima, alguns deles funcionários da discoteca, que acusam Daniel Alves de ter estado a tentar seduzir a mulher durante o tempo que passaram juntos.

A vítima tinha chegado acompanhada de duas amigas. Estavam na área VIP com uns amigos mexicanos, quando um funcionário lhes disse que alguém lhes queria pagar uma bebida: era Daniel Alves e um amigo. A jovem disse que não conhecia o jogador e ele respondeu ironicamente: "Sou jogador de petanca no L'Hospitalet de Llobregat."

O futebolista terá pegado numa das mãos da jovem e aproximou-a do seu pénis. Mais tarde, convidou-a a ir à casa de banho, onde ocorreu a alegada agressão sexual. A rapariga explicou que tentou sair, mas Daniel Alves não permitiu e penetrou-a por via vaginal. Houve um momento de luta entre os dois e a cena, que durou cerca de 15 minutos, terá sido bastante violenta, segundo o testemunho da vítima. Após deixar a área VIP, a jovem dirigiu-se ao hospital Clínic de Barcelona.

Só dois dias depois apresentou queixa. O relatório médico das lesões, incluído no processo judicial, é um dos indícios que apontam para uma relação não consensual. Há ainda provas como impressões digitais e ADN que também constam da investigação. O relatório médico encontrou feridas compatíveis com uma penetração forçada, faltando confirmar a quem pertence o ADN.

Relacionados

Europa

Mais Europa

Mais Lidas

Patrocinados