"Tem sido um dos membros mais impressionantes da administração Trump": quem é Dan Driscoll

24 nov, 19:44
Dan Driscoll reúne-se com Volodymyr Zelensky em Kiev

Ponto de partida: é o novo intermediário de Trump para a Ucrânia

O secretário do Exército dos EUA, Daniel Driscoll, é o novo intermediário da Casa Branca entre Kiev e Moscovo e estreou-se com uma aparição inesperada na quinta-feira a propósito da apresentação do mais recente plano de paz pensado por Washington para a guerra na Ucrânia.

O atual mensageiro, conhecido por ser amigo e ex-colega da Faculdade de Direito de Yale do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, foi nomeado na semana passada por Donald Trump. “A relação de Dan com Vance ajudou-o certamente a conseguir o cargo, mas todo o seu sucesso tem mérito. Ele é simplesmente muito bom no trabalho”, avança uma pessoa próxima à Casa Branca, citada pelo Politico sob anonimato.

A decisão do líder norte-americano levantou dúvidas sobre a capacidade que o ex-banqueiro de investimentos com um diploma em administração de empresas e pouca experiência no que toca às relações entre a Rússia e a Ucrânia teria ou não para intermediar as conversações entre ambos os países.

A postura de Driscoll tem despertado atenção ao mesmo tempo que é comparada à do secretário da Defesa dos Estados Unidos - e seu superior -, Pete Hegseth, em quem já “não há muita confiança para transmitir mensagens aos líderes-chave”, afirma uma fonte familiarizada com a dinâmica do governo norte-americano, também em declarações ao Politico. “Há mais confiança no Dan para fazer isso agora”, acrescenta esta mesma fonte. Com um passado controverso, Hegseth, que esteve em Washington a assistir a reuniões enquanto Driscoll se reunia com Zelensky, foi considerado inadequado para a tarefa delicada de tentar gerir um conflito.

Enquanto secretário do Exército, as tarefas de Driscoll baseiam-se na gestão do orçamento anual do serviço e supervisão da força de trabalho da qual está encarregado, equivalente a um milhão de funcionários ativos, soldados da Guarda Nacional e da reserva e cerca de 265 mil funcionários civis. Em abril aproximou-se da Casa Branca e fortaleceu a sua imagem quando assumiu funções enquanto diretor interino do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos, substituindo o diretor do FBI, Kash Patel. O responsável pelo serviço também esteve envolvido no polémico envio de unidades da Guarda Nacional para cidades dos EUA em missões de "lei e ordem", tarefa que implicava visitas mais regulares a Washington.

Durante mais de três anos serviu no exército dos EUA, tendo recebido condecorações militares. Mais tarde estagiou no Comité de Assuntos de Veteranos do Senado. A isto seguiu-se um trabalho num banco de investimentos na Carolina do Norte, onde se tornou diretor de operações.

Os seus defensores acreditam que se trata de uma ascensão lógica dentro do Governo dos EUA, legitimada por uma prestação “habilidosa” que terá impressionado alguns elementos da Casa Branca, escreve o Guardian.

“Driscoll tem sido um dos membros mais impressionantes da administração Trump desde a sua confirmação”, diz ao Politico uma pessoa próxima à Casa Branca. “Embora ele não tivesse muitas relações na órbita de Trump, construiu ligações fortes dentro da Ala Oeste no último ano e é bem visto pela equipa.”

Depois de uma reunião de uma hora entre o presidente ucraniano e o secretário do Exército norte-americano, a encarregada de negócios dos EUA na Ucrânia, Julie Davis, disse aos repórteres em Kiev que “nas últimas 36 horas vimos realmente um ritmo notável de atividade diplomática”.

Na agenda de Driscoll segue-se uma reunião com aliados da NATO na Europa e uma tentativa de se encontrar com o ministro da Defesa russo, Andrey Belousov, para o pressionar a alcançar um acordo de paz, adianta um funcionário da Defesa inteirado dos planos. 

A visita do diplomata norte-americano à Ucrânia destinou-se especificamente a fechar um acordo sobre algumas das tecnologias de drones mais inovadoras da Ucrânia, que têm merecido elogios de Driscoll. Já conhecido como “o tipo dos drones”, enalteceu no Pentágono a capacidade ucraniana de improvisar e de produzir em massa drones eficazes, tomando o país um exemplo para a indústria de Defesa dos EUA.

“Quando olhamos para a Ucrânia, eles encontram soluções rapidamente e inventam o que for preciso para chegar ao resultado necessário”, elogiou, sublinhando que “não existem regras para alcançar esse resultado e eles simplesmente conseguem cumprir o objetivo.”

Ainda esta semana, espera-se que o recém-intermediário vá até à Rússia para discutir o plano de paz com o Kremlin.

E.U.A.

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