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Exclusivo: ex-governante de Trump afirma que acordo é "extremamente útil" para o Irão

CNN , Matt Egan
19 jun, 16:56
Dan Brouillete (Sven Hoppe/picture alliance/Getty Images)
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Dan Brouillete critica um acordo "generoso demais" para o inimigo e avisa para os perigos relacionados com as reservas de petróleo

O avanço diplomático entre Washington e Teerão é um potencial ponto de viragem para a economia iraniana, devastada pela guerra, disse o ex-secretário de Energia de Trump, Dan Brouillette, numa entrevista exclusiva à CNN.

O memorando de entendimento de 14 pontos, assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, esta semana, oferece um alívio imediato ao Irão, permitindo ao país membro da OPEP reiniciar o seu motor económico: a venda de petróleo e combustível.

"É extremamente útil para eles", refere Brouillette, agora investigador visitante distinto do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia.

Brouillette, que desempenhou as funções de secretário de Energia dos EUA entre 2019 e 2021, diz que o bloqueio americano ao Irão foi "muito eficaz" ao forçar Teerão à mesa das negociações, pressionando a economia iraniana.

A inflação no Irão disparou para mais de 50%. O desemprego está generalizado. E há escassez de produtos básicos.

"O povo iraniano precisa de ser otimista em relação ao seu futuro", aponta Brouillette. “Parte do otimismo reside na possibilidade de parte desta infraestrutura ser reconstruída, garantindo assim um futuro económico para o país.”

"Generoso demais" para o Irão

O acordo EUA-Irão gerou uma reação bipartidária, com alguns a argumentarem que oferece um apoio excessivo ao Irão.

O ex-vice-presidente Mike Pence disse esta semana a Kaitlan Collins, da CNN, que o acordo EUA-Irão “cheira a” apaziguamento, enquanto o senador Republicano Bill Cassidy o classificou como o “pior erro de política externa em décadas”.

Brouillette manifesta preocupação pelo facto de o acordo EUA-Irão ser “um pouco generoso demais” para o Irão, incluindo por conceder ao país “certas coisas antecipadamente”, como o direito de vender petróleo imediatamente. O especialista refere estimativas de que a venda de petróleo e combustível poderia gerar 60 mil milhões de dólares por ano para o Irão.

Brouillette observa que, no passado, o Irão utilizou os seus recursos financeiros para “financiar organizações que eram adversárias dos seus vizinhos da região, bem como dos Estados Unidos”.

“Teremos de estar atentos a isso. Se voltarem a financiar grupos aliados em todo o mundo, diria que tudo pode acontecer”, vinca Brouillette.

Trump alerta para "caos" se não houver acordo

As autoridades norte-americanas sublinharam que a estrutura é baseada no desempenho e que a nova capacidade do Irão para vender petróleo pode ser revogada se as negociações não forem produtivas.

“À medida que melhorarem o seu comportamento, podemos aumentar a ajuda económica”, disse o vice-presidente JD Vance esta quinta-feira. “Se piorarem o seu comportamento, podemos suspendê-lo.”

Brouillette, que atualmente copreside o escritório de advogados Torridon Law, com sede em Washington, admite que teria esperado para definir alguns dos termos do acordo.

“Talvez tivesse feito as coisas de forma ligeiramente diferente… Gostaria de ver mais resultados, por assim dizer, antes de libertar fundos sancionados ou criar algum novo fundo para a reconstrução do Irão”, vinca.

No entanto, Brouillette também sublinha que não está na mesa das negociações com o Irão e que está apenas a observar a situação de fora.

Trump disse esta quarta-feira que, se a guerra continuasse, haveria uma “catástrofe económica” semelhante à de 1929.

“As nossas reservas acabarão em cerca de quatro semanas”, disse Trump. “Chegará um momento em que não conseguiremos mais petróleo, e vocês querem ver o caos?”

Stocks de petróleo "perigosamente" baixos

Brouillette suspeita que a redução das reservas de petróleo - tanto comerciais como de emergência - provavelmente pressionou as autoridades norte-americanas a chegar a um acordo.

“Esta situação é real”, diz. “Não são reservas para sempre, percebe? Se as está a reduzir, em algum momento chega a um ponto de não retorno.”

Os stocks de petróleo no importante centro petrolífero de Cushing, no Oklahoma, caíram para o mínimo necessário para operar.

“Estamos a chegar perigosamente perto do ponto de pressão em que já não conseguiremos extrair”, avisa Brouillette, acrescentando que as reservas precisam de ser reabastecidas rapidamente.

Fontes disseram a Zachary Cohen e Natasha Bertrand, da CNN, que as agências de informação dos EUA concluíram recentemente que o Irão pode efetivamente bloquear o acesso ao Estreito de Ormuz quando quiser.

Brouillette tem esperança de que o Irão não volte a tentar fechar o Estreito de Ormuz, mas reconhece que as autoridades iranianas já demonstraram a sua capacidade para o fazer.

“Podem fazer isto de novo? Sim, claro que podem”, conclui. “Afinal, está no quintal deles.”

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