Famoso mosqueteiro morreu após ter sido atingido na garganta por uma bala de mosquete durante o cerco francês a Maastricht em 1673
Um arqueólogo encontrou restos mortais que acredita pertencerem ao famoso mosqueteiro francês D’Artagnan numa igreja nos Países Baixos, o que poderá resolver o mistério do local de descanso final do herói, mais de três séculos após a sua morte.
O esqueleto foi encontrado enterrado num túmulo em frente ao altar da Igreja de São Pedro e São Paulo, na cidade de Maastricht, no sul dos Países Baixos, juntamente com uma bala de mosquete e uma pequena moeda de bronze cunhada em 1660, disse o arqueólogo independente local Wim Dijkman à CNN esta quinta-feira.
Estas provas físicas correspondem aos registos históricos que relatam que D’Artagnan, cujo nome completo era Charles de Batz de Castelmore, morreu após ter sido atingido na garganta por uma bala de mosquete durante o cerco francês a Maastricht em 1673.
O cerco fez parte da Guerra Franco-Holandesa (1672-1678), uma guerra de conquista francesa que visava tomar o controlo dos Países Baixos Espanhóis. D’Artagnan foi mais tarde imortalizado no romance de 1844 "Os Três Mosqueteiros", do autor francês Alexandre Dumas, e, nos tempos modernos, em filmes e séries de televisão.
Dijkman, antigo arqueólogo da cidade de Maastricht, disse à CNN que vinha a solicitar às autoridades eclesiásticas que lhe permitissem realizar escavações na propriedade desde que conheceu a historiadora francesa Odile Bordaz, especialista em D’Artagnan, há cerca de 25 anos.
Bordaz há muito que defendia a teoria de que o corpo do mosqueteiro teria provavelmente sido enterrado perto do acampamento francês, em vez de ter sido levado de volta para França, para que o rei Luís XIV pudesse assistir pessoalmente ao funeral do seu leal servo.
Quando Dijkman conheceu Bordaz e lhe disse que vivia em Maastricht, ela implorou-lhe que procurasse os restos mortais do mosqueteiro, contou à CNN, e acredita agora ter conseguido.
"Estou muito confiante", disse Dijkman, que, no entanto, aguarda os resultados dos testes para avaliar as correspondências de ADN entre o esqueleto e duas pessoas que afirmam ser descendentes de D’Artagnan, bem como uma análise de isótopos de estrôncio que revelará a região onde nasceu a pessoa a quem os restos mortais pertencem.
"Sou um cientista. Sou um arqueólogo. Quero ter a maior certeza possível sobre isto", afirmou.
Além disso, Jos Valke, diácono da igreja, disse que uma carta a relatar a morte de D’Artagnan afirmava que ele tinha sido sepultado em solo consagrado.
"Bem, debaixo de um altar – não poderia ser muito mais sagrado do que isso", disse Valke à Reuters.
"Quando juntamos tudo isto, então, parece-nos plausível. Mas, claro, nada é certo ainda", acrescentou.