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Porque é que tanta gente quer bater em Cucurella?

15 jul 2025, 17:48
Marc Cucurella (Nell Redmond/AP)
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Muitos sofrem desta condição, mas explicá-la de forma coerente é difícil

Todos nós temos coisas que odiamos sem que haja uma razão concreta para tal. Seja uma pessoa, objeto, filme ou canção, há casos em que a irracionalidade toma conta dos nossos pensamentos.

Ultimamente, uma pessoa tem reunido consenso de forma negativa entre os adeptos de futebol. Parece que toda a gente odeia Marc Cucurella e quer espetar-lhe uma bolacha nas trombas. Neste texto, vou tentar racionalizar essa vontade que milhões sentem por esse mundo fora.

Se esteve atento ao mundo do futebol nos últimos dois verões, sabe de certeza quem é Cucurella. O lateral-esquerdo espanhol foi campeão europeu em 2024 pela sua seleção, tendo inclusive feito a assistência para o golo decisivo na final contra Inglaterra, e foi este fim de semana campeão do mundo de clubes pelo Chelsea.

Comecemos exatamente por este mundial e pelo jogo decisivo. Com o PSG já a perder por 3-0, Cucurella aproveitou para perder algum tempo e deitou-se na área do Chelsea. Irritado, João Neves foi ter com ele e levantou-o no ar. De nada adiantou.

Mais tarde, Cucurella voltou a provocar João Neves, dando-lhe um encontrão desnecessário, pois não estavam a disputar a bola. Os pensamentos intrusivos do médio português, habitualmente bem comportado, levaram a melhor desta vez, e João Neves puxou o cabelo a Cucurella, que caiu e rebolou no chão num pranto descomunal.

Neves viu o vermelho e foi levantado em braços por toda a internet. No Instagram, na publicação da CNN Portugal relativa à crónica do jogo, havia alguns exemplos. “O João Neves só fez o que muitos tinham vontade de fazer”, disse um utilizador. “Parabéns, João Neves, aquele puxão alegrou a noite a muita gente”, disse outro.

De facto, muitos ficaram contentes e há uma justificação. Este tipo de comportamento, da provocação, da mesquinhice, da falta de vergonha, é elementar no jogo de Cucurella. É frequente vê-lo a dirigir palavras menos simpáticas a adversários que estão no chão e o jogador espanhol aproveita cada oportunidade para se atirar para a relva. Com isto já sacou alguns cartões a adversários.

Há um elemento do jogo de Cucurella que é quase exclusivo do espanhol: o cabelo. Sejamos francos: é ridiculamente grande. Mas é uma poderosa arma. No caso dos jogadores normais, os adversários podem puxar-lhes a camisola e os braços. Cucurella acrescenta a essa curta lista a sua pomposa cabeleira.

João Neves não é a primeira vítima do lateral. Em dezembro do ano passado, Jack Stephens, então capitão do Southampton, também cedeu à tentação e puxou aquele cabelo de forma discreta, mas firme, quando a sua equipa se preparava para marcar um canto. O lance foi ao VAR e Stephens levou vermelho.

O pioneiro desta técnica a nível mundial foi ‘Cuti’ Romero, central do Tottenham. Em agosto de 2022, durante um jogo entre spurs e blues, também quando o adversário do Chelsea batia um canto, o central argentino agarrou de forma violenta os caracóis do espanhol. Aí, talvez pela inovação do movimento, Cucurella não conseguiu o que pretendia e Romero não levou cartão pelo lance.

Para além do cabelo, Cucurella também parece ter um privilégio que é exclusivamente dado aos guarda-redes. Nos quartos de final do Euro 2024 entre Espanha e Alemanha, quando o jogo estava empatado 1-1, Jamal Musiala rematou de fora da área. Cucurella intercetou… com o braço. Não estava numa posição natural, nem junto ao corpo, nem o jogador espanhol se tentou desviar. Foi dentro da área, era um penálti claro como a água. Por alguma razão, nem Anthony Taylor, árbitro principal da partida, nem o VAR, Stuart Attwell, assinalaram a falta.

Desde esse dia 5 de julho de 2024 que o defesa espanhol é persona non grata na Alemanha, que se viu privada de lutar pela mais importante competição de seleções da Europa nos seus próprios estádios.

Mas estas não são as únicas razões para um mar de internautas quererem esganar o espanhol. Há outra, diria que a mais chata, que faz muita gente perder a cabeça.

Cucu, Cucurella

Se come una paella

Cucu, Cucurella,

Se bebe una Estrella,

Haaland tiembla,

Que viene Cucurella

Esta “canção”, se assim se pode chamar, foi criada pelos adeptos do Chelsea e adaptada do inglês para o espanhol. Consigo perdoar os ingleses pelo cântico tão básico, mas nuestros hermanos poderiam ter arranjado algo mais criativo. Não tem piada, é básica e, acima de tudo, irrita, especialmente quando é cantada pelo próprio.

Espero que tenha percebido porque é que muita gente quer bater em Cucurella. Na redação da CNN Portugal, no meu grupo de amigos e mesmo na família, há várias pessoas que padecem desta condição. E eu compreendo-os perfeitamente.

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