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EUA preparam-se para acusar criminalmente Raúl Castro

CNN , Hannah Rabinowitz e Evan Perez
15 mai, 21:15
O ex-presidente Raúl Castro, ao centro, chega para uma cerimónia de comemoração do Dia Internacional do Trabalhador na Praça Anti-Imperialista José Martí, em Havana, Cuba (Ramon Espinosa/AP/Arquivo)
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Caso ocorrido em 1996 pode ajudar a justiça norte-americana a conseguir o que quer

O Departamento de Justiça dos EUA está a trabalhar para garantir acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

O âmbito da investigação não é claro. Mas os procuradores federais examinaram uma série de possíveis acusações, incluindo algumas relacionadas com o abate, em 1996, de dois aviões pertencentes à organização de exilados cubano-americanos Irmãos ao Resgate, pelas Forças Armadas cubanas.

Quatro homens - três deles cidadãos norte-americanos - morreram no ataque.

Se for aprovada por um júri popular, uma acusação formal poderá ser anunciada já na próxima semana.

Nos últimos meses, os procuradores do Ministério Público Federal do distrito sul da Florida têm trabalhado na construção de um processo-crime contra os líderes cubanos, segundo uma pessoa conhecedora das discussões. O procurador federal Jason Reding Quiñones deu início ao caso, embora alguns procuradores de carreira do gabinete de Miami tenham levantado preocupações sobre a existência de provas suficientes para levar o caso avante, disse a mesma fonte.

Castro, o irmão de 94 anos do antigo líder cubano Fidel Castro, era um dos principais alvos desta lista, segundo fontes.

A CBS foi a primeira a noticiar o esforço do Departamento de Justiça para o indiciar.

"Não há absolutamente nenhuma informação pública sobre qualquer acusação que tenha sido divulgada ou discutida em vários órgãos de comunicação social, e garanto-vos, e garanto ao povo norte-americano, que se e quando houver um momento oportuno para falar sobre isso, vamos fazê-lo, obviamente", disse o procurador-geral interino Todd Blanche à Fox News esta sexta-feira.

Parlamentares republicanos cubano-americanos pressionaram o Departamento de Justiça dos EUA para que apresentasse acusações. Numa carta de fevereiro à então procuradora-geral Pam Bondi, os deputados, incluindo o deputado Mario Diaz-Balart, instaram o Departamento de Justiça a processar Castro, citando provas, incluindo relatos da época, de que existe uma gravação de comunicações de rádio com os pilotos cubanos de um avião MiG que indica que Castro, então ministro da Defesa de Cuba, ordenou o abate das aeronaves no espaço aéreo internacional.

As possíveis acusações criminais nos EUA surgem no meio de crescentes tensões entre os antigos inimigos da Guerra Fria. Os EUA acusam Cuba de representar uma “ameaça extraordinária” por se aliar a Estados hostis e abrigar instalações militares e de informação estrangeiras, uma alegação que Cuba nega.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou esta quinta-feira para Cuba para se reunir com as autoridades governamentais, numa altura em que se assiste ao aumento da tensão entre os dois países da época da Guerra Fria.

Embora os detalhes da conversa ainda não tenham sido divulgados publicamente, Havana afirmou que as suas autoridades sublinharam que Cuba “não representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA” e que não existem “razões legítimas” para incluir o país na lista de Estados patrocinadores do terrorismo dos EUA, como ocorreu durante a administração Trump.

A iniciativa de apresentar acusações decorre também em paralelo com a intensificação do embargo económico imposto pela administração Trump contra Cuba, que dura há décadas. Apesar dos apelos internacionais para o levantamento das sanções, os EUA têm aumentado a pressão ao longo do último ano.

No início de janeiro, os EUA cortaram o fornecimento de petróleo a Cuba, principalmente vindo da Venezuela, depois de terem capturado o presidente venezuelano numa operação militar e de terem obrigado o governo cubano a interromper as exportações. Os EUA ameaçaram então impor tarifas a outros países que fornecessem petróleo à ilha. O bloqueio deixou a economia cubana de rastos, com a nação caribeana a viver o seu pior período de incerteza económica em décadas e as Nações Unidas a alertar para um potencial “colapso” humanitário.

Em fevereiro, o presidente Donald Trump afirmou que Cuba estava em “graves apuros”, mas que estava a “falar” com os EUA, sugerindo que uma “tomada de poder amigável” poderia estar a caminho.

“Podemos muito bem acabar por ter uma tomada de poder amigável em Cuba. Depois de muitos, muitos anos”, disse Trump aos jornalistas em Washington. “Temos lidado com Cuba há muitos anos. Ouço falar de Cuba desde que era criança.”

Desde então, Trump reiterou a sua disponibilidade para “ajudar” Cuba, afirmando nas redes sociais esta semana que “vamos conversar!!!”

Paula Reid e Casey Gannon, da CNN, contribuíram para esta reportagem

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