A ideia não passa por mudar o regime, mas apenas o líder, de preferência para alguém cúmplice dos Estados Unidos
Ainda com a guerra no Irão em curso e o futuro da Venezuela no mínimo incerto, o presidente dos Estados Unidos já está com o olho em novo objetivo.
Não é que seja uma grande novidade, mas o presidente dos Estados Unidos está mesmo interessado numa intervenção em Cuba, talvez a maior pedra no sapato de vários presidentes norte-americanos, que nunca conseguiram a desejada mudança de regime no pequeno vizinho.
De acordo com o The New York Times, Donald Trump quer mesmo a saída de Miguel Díaz-Canel do poder, o que não significa necessariamente que o regime tenha de mudar.
Tal como admitiu que o Irão pode continuar a ser liderado por uma fação religiosa, o presidente dos Estados Unidos também não parece importar-se com a continuação do comunismo em Havana. Só não pode é ser com Miguel Díaz-Canel.
Segundo o jornal norte-americano, os negociadores da Casa Branca já assinalaram aos homólogos cubanos qual é o desejo de Donald Trump: que saia o presidente para que depois o povo decida o resto.
De acordo com a visão de Donald Trump e dos seus conselheiros, remover Miguel Díaz-Canel do poder poderá dar a hipótese a uma reestruturação económica de um país que atravessa nova crise profunda, ao ponto de ter entrado em apagão geral provocado por uma falha no abastecimento da rede elétrica.
Em vez de uma mudança de regime, o que a Casa Branca procura é uma cumplicidade. Na prática, quer fazer o mesmo que na Venezuela, mas sem a parte de uma operação especial que retira o presidente de sua casa a meio da madrugada. Pelo menos para já.
“Acredito que terei a honra de tomar Cuba”, disse Donald Trump aos jornalistas, citado pelo jornal. “Acho que posso fazer o que quiser com ela. É uma nação muito enfraquecida agora”, acrescentou.
Estas declarações de Trump surgem no mesmo dia em que o governo cubano planeava anunciar que estará aberto ao investimento estrangeiro, incluindo dos EUA.
"Cuba está aberta a ter uma relação comercial fluida com as empresas americanas, bem como com os cubanos residentes nos Estados Unidos e os seus descendentes", afirmou o vice-primeiro-ministro de Cuba, Oscar Pérez-Oliva Fraga, à NBC News, numa entrevista publicada na manhã desta segunda-feira.