Incidente ocorre no meio de tensões crescentes entre os EUA e Cuba, depois do bloqueio norte-americano de todos os carregamentos de petróleo que chegam à ilha. A escassez de petróleo deixou a economia cubana paralisada
As forças cubanas mataram a tiro quatro pessoas numa lancha registada na Florida que entrou em águas cubanas esta quarta-feira, num dramático tiroteio junto à costa da ilha.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, adiantou que a Casa Branca está a "acompanhar" a situação. As nacionalidades dos mortos não foram divulgadas.
Outras seis pessoas a bordo da embarcação ficaram feridas e estão a receber assistência médica.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, tropas da guarda costeira cubana aproximaram-se da lancha para a identificar depois de esta ter entrado em águas territoriais cubanas em Falcones Cay, na província de Villa Clara, a pouco mais de 160 quilómetros da Florida.
As forças cubanas foram então alvejadas por alguém da lancha, ferindo o comandante da embarcação cubana, segundo o comunicado. Os guardas fronteiriços ripostaram.
Vance disse que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o informou sobre o incidente, mas os detalhes ainda são escassos. “Certamente, é uma situação que estamos a acompanhar, e esperamos que não seja tão grave como tememos. Mas não posso dizer mais, porque simplesmente não sei mais”, disse Vance, na Casa Branca.
Rubio encontra-se atualmente na região, em visita oficial a São Cristóvão e Névis.
O incidente ocorre no meio de tensões crescentes entre os EUA e Cuba, uma vez que Washington D.C bloqueou praticamente todos os carregamentos de petróleo que chegam à ilha governada pelo regime comunista. A escassez de petróleo deixou a economia cubana paralisada, com a nação caribeana a viver o seu pior período de incerteza económica em décadas.
A embarcação, com o número de matrícula FL7726SH, é uma lancha de sete metros fabricada em 1981, de acordo com os registos das bases de dados marítimas.
“Perante os desafios atuais, Cuba reafirma a sua disponibilidade para proteger as suas águas territoriais, partindo do princípio de que a defesa nacional é um pilar fundamental para o Estado cubano, visando a proteção da sua soberania e estabilidade na região”, declarou o Ministério do Interior cubano.
Autoridades da Florida em alarme
As autoridades da Florida pediram uma investigação e querem que o governo cubano seja responsabilizado.
O procurador-geral da Florida, James Uthmeier, disse ter instruído o Gabinete do Procurador do Estado para auxiliar as autoridades federais, estaduais e policiais no início de uma investigação.
O congressista republicano Carlos A. Gimenez, cujo distrito inclui a ponta sul da Florida, disse que o incidente levantou preocupações sobre o uso de força letal contra pessoas a bordo de uma embarcação registada nos EUA e pediu uma investigação sobre o sucedido.
“As autoridades dos Estados Unidos devem perceber se alguma das vítimas era cidadã americana ou residente legal e estabelecer exatamente o que aconteceu”, escreveu Gimenez, na rede social X. “O regime em Cuba deve ser relegado para o esquecimento pelos seus inúmeros crimes contra a humanidade.”
O senador republicano Rick Scott, também da Florida, classificou o incidente como “profundamente preocupante” e disse que o Governo cubano “deve ser responsabilizado”.
O Ministério do Interior de Cuba informou que as autoridades estão a investigar o incidente.
Max Saltman e Patrick Oppmann contribuíram para este artigo.