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Diretor TVI Norte

Diga a senha!

2 abr, 21:52

Crónica dos enviados especiais da CNN Portugal/TVI João Fernando Ramos e Nuno Miguel Santos

Hoje foi um dia em que nos aconteceu um daqueles acasos de que nunca mais nos vamos esquecer.

Terminado o trabalho num centro de treino da defesa civil, resolvemos ir comer uma sopa. Pedi à Mariya para nos levar a um espaço tradicional, onde essa sopa rápida pudesse revelar os melhores sabores da Ucrânia. Ela sorriu e levou-nos por ruas e ruelas até a uma das praças da cidade onde num corredor surgia uma porta de madeira, fechada.

Batemos. Abriu-se um postigo.

Ela disse a senha.

Fiquei sem perceber nada.

Abriu a pesada porta um homem de metralhadora em punho e uma cara onde não se desenhava um qualquer sinal de um sorriso. Passaportes, as saudações à glória da Ucrânia e o homem sorriu.

Entrámos. Fiquei maravilhado com aquilo e confesso que me senti dentro de um daqueles filmes de espiões de outros tempos.

Três lanços de escadas abaixo abria-se um grande e velho abrigo de tijolo com várias galerias, cheio de mesas, armas de outros tempos, fotografias de guerras antigas a dar guarida a um belo grupo que se deliciava com os segredos da melhor cozinha, inebriados por vinho e cerveja, coisa aqui proibida em tempos de guerra. Até os sérios militares ali estavam em conversa galhofeira.

No meio, um saco de boxe, com a cara de Putin, onde crianças e adultos iam dando socos. Mais à frente, neste abrigo anti bomba que passou pela grandes guerras mundiais, um periscópio de onde se pode ver a Praça Vermelha em Moscovo.

Pedi para nos deixarem fazer ali reportagem, com aquele sentido de que nos vão já dizer; estão loucos, isto não existe e não é para mostrar.

Nova surpresa. Disseram que sim, sem mostrar caras, mas depois já se podia, sem dizer onde era, mas a seguir afinal já era possível. Mas faltava o fundamental-convencer o porteiro a entrar na brincadeira. Lá fomos tentar. Ele não gostou nada da ideia, mas perante a insistência lá disse que sim e ainda bem. Interpretou o papel de forma magistral, como devem ter visto na nossa reportagem. Lviv é uma cidade cultura, que quer rapidamente cativar turistas e recuperar a economia. O que vimos hoje, é um belo exemplo de inteligência e engenho, mesmo em tempos de guerra. Não conseguimos ficar só pela sopa, que estava deliciosa. Se vierem cá vão perceber porque não consigo sequer descrever mais o repasto sem salivar em cima do teclado do computador.

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