Bem-vindos ao euro: Croácia diz adeus à kuna

ECO - Parceiro CNN Portugal , Mariana Tiago
1 jan, 14:13
Croácia passa da kuna para o euro

A Croácia entra em 2023 com uma nova moeda e a pertencer ao Espaço Schengen. Em que estado está a economia do país e o que se espera nos próximos anos?

A Croácia entra no novo ano com uma nova moeda e a pertencer ao Espaço Schengen. A partir deste domingo, a kuna croata começa a ser substituída pelo euro e o banco central do país passa a ser membro do Banco Central Europeu (BCE).

Com uma taxa de câmbio definida pelo Conselho da União Europeia de 7,5345 kunas por euro, o país da Europa Oriental será o 20.º a adotar a moeda única. A Cróacia, de 3,9 milhões de habitantes, fará ainda parte do oitavo alargamento do Espaço Schengen, (o primeiro após 11 anos), com livre-circulação entre Estados-membros.

O país junta-se ao euro após conseguir cumprir os critérios de Maastricht. Em 2023 prevê-se que o PIB e a dívida pública desçam; que a inflação e a taxa de desemprego se mantenham e que o défice e o salário mínimo nacional aumentem. Conheça a nova economia do euro em oito números:

PIB cai em 2023

O primeiro ano com a moeda única poderá ser um desafio face às previsões económicas para 2023. Segundo a Comissão Europeia (CE), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Croácia irá registar uma queda acentuada: passará de 6% (registado em 2022) para 1%. Mesmo assim, prevê-se que o crescimento do país supere o crescimento do PIB português, que deverá ficar pelos 0,7%.

Em 2024, por outro lado, a realidade croata pode ser outra, uma vez que se espera que o PIB do país cresça 1,7% (à semelhança do caso português), em grande parte devido ao aumento do consumo privado, da taxa de emprego e dos salários.

Inflação moderada

Ao longo de 2022, a inflação da Croácia atingiu os 10,1%, mas, no ano em que se junta ao euro, a previsão da Comissão Europeia é outra: em 2023, a inflação do país deverá moderar e abrandar para 6,5%. Mas o valor estará acima daquele que Portugal enfrentará (5,8%). Para 2024, o cenário croata fica ainda melhor: antecipa-se um novo abrandamento da inflação para 2,3%.

Défice aumenta até 2024

Após a crise pandémica mundial e face ao aumento da inflação – que levou à subida dos preços, em particular os da energia – o Governo da Croácia adotou medidas para aliviar o esforço das famílias e empresas, que estarão em vigor pelo menos até março.

Assim, diminuiu as taxas aplicadas sob os produtos energéticos, controlando também os preços máximo que a luz e gás podem atingir e aplicando cortes aos impostos especiais de consumo (que afetam preços de bens como bebidas alcoólicas, tabaco e produtos petrolíferos).

De acordo com as projeções da CE, o défice do país irá aumentar para 2,4% do PIB em 2023 e para 2,7% em 2024. O objetivo do Governo é que as medidas aplicadas façam efeito e melhorem a vida das famílias e empresas croatas, de forma que a economia recupere.

Dívida pública diminui, mas sobe em 2024

No que toca à dívida pública do país, em 2022 esta correspondia a 70% do PIB. Mas no ano que agora se inicia, a Croácia deverá conseguir diminuir este valor: a dívida passará a corresponder a 67,2% do PIB. Porém, em 2024 a dívida pública deverá registar um novo aumento, para 68% do PIB.

Salário mínimo aumenta

No que toca ao salário mínimo, os dados de 2022 apontam para um valor bruto de cerca de 622 euros (o que corresponde a cerca de 500 euros líquidos).

Para 2023, prevê-se um aumento do salário mínimo nacional bruto para 700 euros, o que se traduz em 533 euros já livres de impostos. De 2022 para 2023 espera-se, então, um aumento de 33 euros no valor líquido do salário mínimo nacional.

Nível de desemprego mantém-se

O nível de desemprego na Croácia em 2022 era de 6,3%. Este ano, prevê a CE, espera-se uma continuação da tendência. Relativamente ao desemprego jovem, em setembro de 2022, 15,50% não tinha fonte de rendimento.

Já em 2024, o país deverá registar um decréscimo do desemprego para 5,9%, o que estará em linha com o aumento do PIB e do nível de vida da população dos Balcãs.

Face à Croácia, o desemprego em Portugal apresenta uma realidade melhor: prevê-se que se mantenha nos 5,9% em 2023 e que caia para 5,7% em 2024.

O melhor investimento é no setor tecnológico

Nos últimos anos, o país junto ao mar Adriático tem-se destacado principalmente nos setores do turismo, tecnologia e telecomunicações, automóvel, alimentar e farmacêutico, sintetiza o portal Trading Economics.

Segundo a International Trade Administration (ITA), as oportunidades de investimento na Croácia têm crescido nos últimos anos, especialmente no setor tecnológico. Futuramente, o país deverá também oferecer novas oportunidades de destaque relacionadas com a transição energética.

Ao aderir ao euro, a Croácia terá não só mais facilidade no que diz respeito a transações, como também a criar e aprofundar relações comerciais com outros países europeus.

Exportações superaram importações

Em 2022 as importações croatas aumentaram 23%. Também as exportações registaram um aumento de 2021 para 2022, nomeadamente de 25,4%.

De acordo com os dados do Trading Economics, as importações do país são, essencialmente, de maquinaria, combustível, produtos alimentares e equipamentos de transportes. Já as exportações – essencialmente para Itália, Bósnia, Alemanha, Eslovénia, Áustria e Sérvia – são de equipamentos de transportes e maquinaria, têxteis, produtos químicos, alimentos e combustível.

A nível de competitividade no mercado, o país ocupa a 43.ª posição entre 63 países. O índice, avaliado pelo International Institute for Management Development (IMD), clarifica que nos últimos cinco anos a Croácia subiu 15 lugares. Já Portugal desceu nove.

Europa

Mais Europa

Patrocinados