Já não precisa de atravessar a Bósnia para correr a Croácia de uma ponta à outra

28 jul, 13:13

Viagem que antes demorava 59 minutos e dez quilómetros entre os postos fronteiriços, agora demora 22 minutos ao longo de 2,4 quilómetros de ponte sobre o mar Adriático

Depois de quatro anos de construção, foi finalmente inaugurada a ponte Pelješac, que liga Komarna a Brijesta, na península do lado de Dubrovnik. A ponte coloca assim fim à passagem pelo estreito de Neum e pelos postos fronteiriços da Bósnia e Herzegovina, passagem que era obrigatória para quem queria ir ou voltar do sul do país. 

Inaugurada formalmente na terça-feira, mas ainda sem permitir o trânsito de pesados (fase que deverá estar concluída em novembro de 2023), a ponte representa um investimento de 525 milhões de euros, sendo que 85% do projeto foi financiado por Bruxelas e encurta em 37 minutos o percurso entre as duas cidades. Assim sendo, a viagem que antes demorava 59 minutos e dez quilómetros entre os postos fronteiriços, agora demora 22 minutos ao longo de 2,4 quilómetrosde ponte sobre o mar Adriático.

A construção foi feita a um nível de 55 metros acima do mar para garantir que os navios de grande porte com destino à Bósnia e Herzegovina passavam sem qualquer tipo de entrave. No início da construção, os bósnios contestaram os 44 metros do vão da ponte e o governo de Sarajevo afirmou mesmo que essa altura podia afetar ou impedir a circulação de navios de maior envergadura na baía de Neum. Apesar do aumento do custo da obra, Zagreb aceitou subir o vão e, a 23 de junho, um navio de 237 metros de comprimento e 48 de largura, vindo das Bahamas, atracou no porto bósnio sem problemas.

E foi a 55 metros de altura que centenas de pessoas correram na terça-feira, para celebrar a abertura da ponte, uma data assinalada ainda com fogos de artifício antes da ponte abrir ao trânsito.

Inauguração da ponte Pelješac [Associated Press]

A inauguração contou ainda com a presença do primeiro-ministro Andrej Plenković que, segundo a CNN Internacional, descreveu a estrutura como "não um luxo, mas uma necessidade".

Também a comissária europeia Elisa Ferreira considera que a construção vai "melhorar o desenvolvimento económico e a coesão territorial entre o sul da Dalmácia e da Croácia como um todo".

"A ponte é um símbolo da solidariedade europeia e do apoio à Croácia em termos financeiros e políticos. Vai melhorar a vida dos cidadãos no terreno e fará parte da história do desenvolvimento da Croácia."

A Croácia e a Bósnia já estiveram entre as seis repúblicas que compunham a antiga Jugoslávia. Quando a Croácia se tornou independente, em 1991, duas secções da costa do Mar Adriático da Croácia foram divididas por um trecho de nove quilómetros do território bósnio conhecido como corredor de Neum.

No entanto, a construção da ponte esteve envolta em polémica visto que o projeto foi entregue à empresa China Road and Bridge Corporation, tornando-se no primeiro grande projeto chinês de infraestruturas pago por contribuintes europeus. 

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