Esta é a reflexão feita pelo comentador da CNN Portugal numa altura em que falta pouco mais de uma semana para a Seleção se estrear no Mundial
Este é um Mundial especial para Cristiano Ronaldo.
Será o último Campeonato do Mundo como jogador de futebol.
Serão, com esta, 12 fases finais de Europeus e Mundial, metade por metade.
Não sei se os portugueses têm a noção exacta da importância extra desta prova.
Para Portugal, em primeiro lugar, porque chega a 2026 com a possibilidade de ganhar o primeiro título da prova mais importante da FIFA em Seleções, com um plantel de reconhecida grande qualidade (em quantidade), mas também para Cristiano Ronaldo na parte final da sua carreira, de mais de duas décadas a espalhar o nome de Portugal um pouco por todos os cantinhos do nosso planeta.
Digam o que disserem, mas Cristiano Ronaldo também construiu o seu planeta, a partir do nada. É um exemplo por isso. Subiu a corda a pulso. Uma corda de sisal a desfazer-se, quase a partir, que ele transformou em corda de ouro. Pelo talento natural, mas também pelo trabalho. Trabalho que nunca abandonou. Nem física nem mentalmente. Até se tornar num poder. Poder que, hoje, utiliza com toda a naturalidade, aos 41 anos, depois de tantas épocas de glória. E não o faz - como poderia ter a tentação de o fazer - como a cigarra.
E é bom dizer que a sua presença na Selecção aos 41 anos não é nem uma esmola nem uma imposição, primeiro porque Cristiano não precisa de esmolar seja o que for e porque essa presença ainda resulta de um rendimento apreciável. Não é um favor, não resulta de um decreto-lei; continua a ser um acto de justiça, porque é a combinação da memória com aquilo que, desportivamente, ainda consegue acrescentar a um colectivo, seja no clube, seja na Seleção. E isso deve ser valorizado e não desprezado como em Portugal é tão comum ver-se fazer, com uma injustiça que dói.
Também por isso, porque Cristiano Ronaldo merece todo o carinho que lhe possamos transmitir, arrisco vestir a pele de selecionador e “convocar” todos os portugueses para, a partir de hoje, mesmo sem ignorar questões de gestão desportiva, que devem ser acauteladas durante a competição, pelo selecionador e até a partir do nosso “capitão”, fazermos deste Campeonato do Mundo um momento de consagração de Cristiano Ronaldo, mostrando-lhe o orgulho que temos em poder desfrutar da sua presença na Seleção, dentro do campo e como o maior embaixador de Portugal de todos os tempos.
A avaliação do rendimento será sempre um exercício à parte. Mas o ponto de partida é esse: a gratidão, o orgulho, o carinho que temos para lhe dispensar. E não nos esqueçamos que este pode ser, igualmente, o último confronto, ao mais alto nível, entre Cristiano Ronaldo e Messi, outro grande astro do futebol mundial. Juntos e separadamente foram eles que marcaram uma era do futebol em todos os continentes.
Esta “convocatória” - à qual gostaria de ver associada a Federação e todos os clubes portugueses, o Sporting onde jogou mas também o Benfica e o FC Porto e todos os outros onde não jogou - é acompanhada por uma dose máxima de energia positiva, de um estímulo no limite para que Portugal e Cristiano façam um grande Mundial e, também, de uma única palavra: obrigado!
Há uma obra para finalizar e essa só faz sentido que se complete com o reconhecimento dos portugueses para quem vai, humildemente, esta “convocatória”. Vamos a isto, juntos?!!
