Secretário-geral do PS reiterou que o país não entrou numa crise por sua culpa, atirando para o Governo e para o PSD os "arranjinhos" de última hora que acabaram com o desfecho previsível: a queda do Executivo
Há 70% de portugueses que não querem novas eleições e entre eles está o secretário-geral do PS, que garante que o partido que lidera “fez tudo para evitar” a queda do Governo de Luís Montenegro e a mais do que provável realização das terceiras eleições legislativas em três anos.
Em entrevista exclusiva à TVI e à CNN Portugal, Pedro Nuno Santos acusou o Governo de atirar Portugal “para debaixo de um comboio”. Um comboio que vai para as urnas, onde, mesmo que diga que não queria ir, o secretário-geral do PS já tem os olhos postos.
"O PS deu todas as condições para este Governo poder não só iniciar funções, como governar. O mínimo que nós exigimos do PSD é uma reciprocidade, portanto, que o PSD garanta a um Governo do PS aquilo que, na verdade, o PS já garantiu a um Governo do PSD", atirou, num recado claro de que espera poder formar governo e governar, caso os resultados o permitam, até porque “se há partido preparado para governar é mesmo o PS”.
Não apenas na eleição em si, mas na vitória e na formação de governo, num executivo que, segundo o próprio, terá de ser legitimado pelo PSD, já que o PS fez o mesmo nesta legislatura quando permitiu a aprovação do programa do Governo, a aprovação da proposta de Orçamento do Estado para 2024 e a rejeição das moções de censura apresentadas por Chega e PCP.
Mas foi a moção de confiança apresentada esta terça-feira a gota de água. O próprio Pedro Nuno Santos fez questão de repetir que sempre reiterou que não deixaria passar uma proposta do género, acusando o Governo, e em particular o primeiro-ministro, de confusão com a comissão parlamentar de inquérito.
Tudo isto numa tarde que o secretário-geral do PS entende que foi recheada de “manobras e truques”, mas também de “vergonha” para os que compõem o Parlamento, depois de várias tentativas de “arranjinhos” da parte do Governo, que quis negociar diretamente com os socialistas, mas que acabou recusado uma, outra e outra vez.
"O PS teve um comportamento responsável desde 10 de março de 2024. Viabilizámos o programa do Governo, viabilizámos a eleição do Presidente da Assembleia da República, viabilizámos um Orçamento do Estado, chumbámos duas moções de censura, não pedimos nenhuma moção de confiança", disse Pedro Nuno Santos, que imputou, por mais do que uma vez, esta crise política ao primeiro-ministro.
"Não foi invenção de nenhum partido político, resulta da investigação da comunicação social", reiterou, afirmando que fica ainda muito por explicar, seja em sede de comissão parlamentar de inquérito, seja noutro cenário.
"O primeiro-ministro tem um caso que levantou muitas dúvidas e desconfiança", acrescentou, garantindo que Luís Montenegro “não se vai livrar de dar esclarecimentos", sobretudo porque foi quebrada a confiança que tinha dos portugueses.