O MISTÉRIO DAS FINANÇAS || Antigo ministro da Economia entende que não é preciso um bloco central assumido, mas pelo menos um acordo em alguns setores
Portugal vai novamente a eleições e a perspetiva de um cenário de ingovernabilidade coloca-se em cima da mesa, já que parece difícil que haja uma maioria estável a sair do dia 18 de maio, pelo menos a julgar pelas sondagens, que dão AD e PS em empate técnico.
Perante isto, e sabendo-se que o Parlamento que sair das próximas eleições tem de durar pelo menos um ano - o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa não o poderá dissolver por estar em fim de mandato e o seu sucessor não o poderá fazer nos primeiros seis meses por estar no início de mandato -, Pedro Siza Vieira defende um entendimento entre os dois principais partidos.
Em entrevista ao programa O Mistério das Finanças, cuja íntegra vai para o ar este sábado e que pode ser visto na CNN Portugal ou em podcast do ECO, o antigo ministro da Economia afirma que “é preciso um entendimento muito mais extenso” entre PSD e PS.
Não tem necessariamente de ser um bloco central, mas uma concertação que permita ao país uma lógica de estabilidade e governabilidade, sobretudo nos temas mais estruturais.
“É preciso que se diga ‘sobre estes temas o país, com o apoio dos partidos centrais, vai estar disponível para estas coisas’”, referiu.
Pedro Siza Vieira pediu ainda mais clareza para a população, sublinhando que esses eventuais entendimentos devem acontecer, sim, mas com o conhecimento público.
Questionado sobre o molde do entendimento, o antigo ministro foi mais evasivo. “Não sei se é uma coligação, se é um acordo de incidência parlamentar, se é um acordo de regime…”, reiterou, reforçando que alguma coisa terá de ser.