José Pedro Aguiar-Branco assume-se expectante em relação à aprovação da moção de confiança de Luís Montenegro, e lembra que "a abstenção também permite que seja viabilizada"
O presidente da Assembleia da República diz que “compete aos partidos políticos” fazerem passar a moção de confiança, em prol do “interesse nacional”, como fizeram noutras ocasiões. "Eu, como presidente da Assembleia da República, desejaria que assim fosse".
“Eu acredito que o interesse nacional seja, na hora da sua votação, prioritário, tal como também foi nas moções de censura, e tal como aconteceu na votação do Orçamento do Estado”, defende, lembrando ainda que “a abstenção também permite que a moção de confiança seja viabilizada”.
José Pedro Aguiar-Branco falava aos jornalistas este domingo, na Casa da Arquitetura, em Matosinhos, tendo sido questionado sobre os últimos acontecimentos no Parlamento. Afirma que a discussão em causa ocorreu porque o primeiro-ministro, Luís Montenegro, “apresentou na sua relação de bens e no seu registo de interesses tudo o que tinha a apresentar”.
“É uma prerrogativa dos partidos apresentarem as moções de censura, foram apresentadas. É uma prerrogativa do Governo apresentar a moção de confiança, está apresentada”. O presidente da Assembleia da República acredita, porém, que "os portugueses não desejam ir a eleições" e apela aos agentes políticos que tenham "o interesse nacional bem presente quando for a hora de votar".
A cerca de 48 horas da moção de confiança ser discutida no Parlamento, entende que “em democracia não há impasses e, como não há impasses, a situação das eleições são sempre, em última análise, a alternativa que existe”, mas admite querer "trabalhar na hipótese de, ate terça-feira, ser possível que se coloque o interesse nacional acima de qualquer interesse partidário".