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Esperar é morrer

14 mar 2025, 17:29

O anúncio da queda de um Governo raramente é um bom sinal para a economia. Duas quedas em pouco mais de um ano, é um desastre. A economia, as empresas e os empresários anseiam por quadros políticos estáveis, que permitam tomar decisões de estratégicas e de investimento.

A instabilidade política, aliada à indecisão que suscita, tem um efeito devastador na economia e colocam os empresários perante um dilema fundamental: avançar, sem pensar nas consequências que podem advir da instabilidade política, ou, alternativamente, aguardar tempos de acalmia e almejar que a bonança produza os frutos regulatórios desejáveis.

Talvez instigado pela costela anglo-saxónica de formação ou, pelas palavras sábias da minha avó, sempre concordei que “esperar é morrer”.

A decisão de avançar para eleições antecipadas levará a que um futuro Governo (mais à direita ou mais à esquerda) apenas consiga começar a governar, no verdadeiro sentido da palavra, em meados de Fevereiro do próximo ano, basta olhar para o calendário político que se avizinha.

Depois das eleições a 18 de Maio, i.e., daqui a dois meses, teremos de aguardar 45 a 60 dias para empossar o novo Governo. Significa, portanto, que o atual Governo (em gestão), saí em meados de Julho, quando o país, e o Parlamento, entra em férias e só regressa em Setembro, com “tempo político” tomado por eleições autárquicas, em que qualquer decisão irrefletida poderá implicar mudanças indesejadas e inesperadas no plano da política local. Há que aguardar.

Chegados a Outubro e terminadas as autárquicas, estaremos em plena negociação do próximo orçamento de estado, que dependerá dos equilíbrios de poder que a expressão dos votos vier a determinar nas eleições de Maio. Entre votações na generalidade e na especialidade, até finais de Novembro, Governo e Parlamento estarão totalmente focados em fechar o orçamento, não havendo espaço para muito mais.  

E aqui chegados, temos 15 dias e estamos em época natalícia a que se segue um início de ano marcado por mais um ato eleitoral: as Presidenciais.

Significa, portanto, como referi, que qualquer novo Governo que venha a ser empossado, não conseguirá olhar tranquilamente para o futuro ou implementar reformas estruturais antes de Fevereiro de 2026, isto no cenário em que é possível estabelecer um quadro de governação minimamente estável.

Creio que é necessário sublinhar o impacto devastador para a economia que a ausência de diretrizes governativas sólidas pode trazer, nomeadamente ao nível da atração de investimento externo, ainda por cima quando aliada a uma conjuntura internacional marcada por guerras a decorrer, por alterações no equilíbrio geopolítico mundial e por mudanças significativas ao quadro do comércio internacional, decorrentes da atuação errática dos Estados Unidos da América (veja-se, por exemplo, a mais recente possibilidade de introdução de tarifas sobre o sector vinícola).

Fruto da queda do Governo, ficámos, por tempo indeterminado, numa posição de enorme vulnerabilidade e enfraquecidos na possibilidade de retaliar, deixando os empresários por sua conta, pois, enquanto o país se resolve, a economia real não pára.

Sendo assim, a única solução que resta aos empresários é... avançar!

Os empresários portugueses são gente cuja resiliência e capacidade de diversificação, por mais de uma vez, levaram o país a sair da prostração em que crises políticas colocaram o país.

É nessa vertigem da indefinição política e da ausência de decisões que a todos deve preocupar situação que mais uma vez nos encontramos, dependentes da força e vontade de vencer dos empresários portugueses que, do mais pequeno ao maior, são outra vez chamados a fazer o que realmente conta neste momento: avançar.

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