Ministro Adjunto admite que Montenegro pode deixar cair moção de confiança: basta PS deixar de querer CPI ao primeiro-ministro

CNN Portugal , DCT
7 mar, 14:04
Manuel Castro Almeida

Governante acredita que Luís Montenegro vai responder às questões colocadas ainda antes da moção de confiança e coloca no PS a responsabilidade de travar a crise política (e uma possível ida a eleições antecipadas)

O ministro Adjunto e da Coesão Territorial acredita que “há condições” para o Governo retirar o seu pedido de moção de confiança - e evitar uma crise política - se o Partido Socialista abandonar a ideia de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Montenegro. Em entrevista ao Observador, Manuel Castro Almeida reconhece, no entanto, que o timing do primeiro-ministro para prestar esclarecimentos é “questionável”.

“Acho que se o PS vier declarar que reconhece ao Governo condições para executar o seu programa, se declarar que se considera satisfeito com os esclarecimentos dados e que retira a Comissão Parlamentar de Inquérito, acho que há condições para a moção de confiança poder ser retirada”, diz o governante.

Castro Almeida usa a mesma expressão de Luís Montenegro sobre o cenário de eleições antecipadas - é um “mal necessário” -, mas coloca a responsabilidade de uma nova ida às urnas no PS. “Agora, será um mal necessário se não houver da parte do PS a formulação de que há condições para que o Governo cumpra o seu programa”, vinca, atirando ainda que “se o PS quiser evitar eleições, pode fazê-lo”.

O ministro assume uma postura de defesa de Luís Montenegro, mas reconhece que “a única coisa mais discutível tem a ver com o calendário, o timing das explicações” dadas pelo primeiro-ministro, e que a oposição já veio dizer que não são suficientes. Ainda assim, atira: “A ideia que tenho é que o primeiro-ministro não deixará sem resposta”. E essa resposta, adianta, poderá chegar antes da votação da moção de confiança, que acontece já na terça-feira. “Estou convencido que não vamos chegar à moção de confiança sem que o primeiro-ministro tenha respondido a todas as questões. Mesmo que seja por repetição. Todas as perguntas que foram colocadas por escrito serão respondidas antes da moção de confiança.”

Em entrevista ao programa ‘Explicador’ do jornal Observador, o ministro toca no tema da maioria absoluta, algo que Paulo Rangel e Pedro Reis já tinham feito. “Acredito que seria muitíssimo útil para o país poder entrar num período de estabilidade”, afirma.

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