Elevada afluência aos serviços de urgência dos hospitais faz com que os serviços tenham de utilizar as macas das ambulâncias. Situação mais grave é no Garcia de Orta
Dezenas de ambulâncias ficaram retidas em vários hospitais portugueses esta segunda-feira, atrasando o socorro às várias chamadas que chegavam ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
De acordo com os dados divulgados à CNN Portugal pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, pelo menos 73 ambulâncias ficaram retidas por falta de macas nos hospitais.
A elevada afluência aos serviços de saúde faz com que vários doentes tenham de ser colocados em macas, muitas vezes nos corredores, o que acaba por exigir que os doentes que chegam tenham de ficar nas macas das ambulâncias.
Isso faz com que estes veículos não tenham a maca necessária para arrancarem para o próximo serviço, acabando por ficar paradas à porta do hospital.
A situação mais grave na segunda-feira foi no Hospital Garcia de Orta, que serve a zona da Margem Sul, incluindo o Seixal. Só ali estavam paradas 23 ambulâncias por falta de macas.
Os restantes hospitais em que o problema se verificou foram o Amadora-Sintra (20), Beja (20) e São José, em Lisboa (10).
Ao que a CNN Portugal conseguiu apurar, o presidente do INEM aponta que uma situação semelhante terá estado na origem da demora do socorro do homem que morreu no Seixal, onde a ambulância só chegou cerca de três horas depois da chamada.
INEM abre auditoria interna à chamada do utente do Seixal
O INEM, entretanto, anunciou que abriu uma auditoria à chamada recebida na terça-feira de um utente do Seixal que morreu depois de ter estado três horas à espera de socorro, anunciou hoje o presidente do instituto.
“Esse primeiro passo foi determinado e essa auditoria à chamada está a ser feita”, disse Luís Cabral, em declarações hoje aos jornalistas no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Lisboa.
O presidente do INEM lamentou o desfecho fatal e recusou que o atual sistema de triagem tivesse tido qualquer influência.
Luís Cabral explicou que a procura de meios se iniciou 15 minutos depois de a chamada ter sido recebida, mas as ambulâncias não estavam disponíveis “porque estavam a ser retidas nas diferentes unidades de saúde da margem sul”.
Disse que o sistema funcionou, mas os meios não estavam disponíveis, lamentando a retenção de macas nos hospitais.
“Estamos a atender mais rapidamente, identificar melhor as situações e fazemos uma melhor triagem. Se os meios que nós temos ao dispor estiverem disponíveis, vamos estar a responder em conformidade”, afirmou, acrescentando: “Não posso ter hospitais a funcionar com macas de reservas dos bombeiros”.
O responsável disse ainda que foram dadas indicações para que, a partir de agora, qualquer maca retida seja recolhida para que os hospitais percebam que as macas servem para a resposta de emergência que o INEM precisa de dar aos cidadãos.
“Não podemos deixar a maca e trazer ambulância sem maca porque esta depois não pode dar resposta”, acrescentou.