"Fiz asneira": o que é preciso saber sobre Sam Bankman-Fried, detido nas Bahamas e no centro de um dos maiores escândalos com criptomoedas

13 dez 2022, 14:02
Sam Bankman-Fried, CEO of FTX (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images)

Fundar a FTX em 2019, corretora de criptomoedas que chegou a movimentar 10 mil milhões de dólares em ativos por dia

O fundador da FTX, uma empresa associada ao comércio de criptomoedas, foi detido esta terça-feira na ilha das Bahamas, nas Caraíbas. Segundo uma publicação do procurador do distrito sul de Nova Iorque, Damian Williams, Sam Bankman-Fried foi detido pelas autoridades das Bahamas a pedido do Governo dos EUA, com base numa acusação apresentada pelo distrito sul de Nova Iorque.

Em comunicação oficial das autoridades das Bahamas divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro daquele país, Philip Davis, a polícia informa que Sam Bankman-Fried foi detido por “crimes financeiros” contra a lei dos Estados Unidos e das Bahamas. O antigo CEO da FTX, de 30 anos, deve agora comparecer a tribunal na capital das Bahamas, Nassau.

Para o procurador-geral das Bahamas, Ryan Pinder, a extradição do antigo CEO da FTX é um cenário provável, citou esta terça-feira o Financial Times. Sam Bankman-Fried está a ser investigado pelo departamento de Justiça dos EUA após a FTX abrir falência a 11 de novembro, sendo esta uma empresa que outrora esteve avaliada em cerca de 32 mil milhões de dólares.

O novo CEO e administrador de insolvência da FTX, John Ray, atribuiu a falência da empresa à concentração de poder nas mãos de “um grupo muito pequeno de indivíduos largamente inexperientes e pouco sofisticados”, citou o Financial Times. O responsável garante ainda que a FTX permitiu que o seu braço de investimento, o fundo Alameda Research, se apropriasse de fundos emprestados pela FTX “sem qualquer limite”.

Adicionalmente, uma “quantia substancial” de ativos “foi roubada ou está desaparecida”, avançou um dos advogados representantes da empresa e sua nova direção, James Bromley. Citado pelo The New York Times, o advogado acusa igualmente a má gestão da FTX, pelas mãos do seu fundador e ex-CEO, de deixar os novos representantes com informações limitadas quanto ao estado das finanças da corretora, alegando uma “ausência total de controlos corporativos”.

Por oposição, Sam Bankman-Fried atribui a falência da empresa à corrida aos levantamentos, tendo esta venda maciça de criptomoedas (no valor de 6 mil milhões de dólares em três dias) provocado um problema de liquidez. Após avançar com o pedido de insolvência, o antigo CEO da FTX demitiu-se do que já foi a terceira maior corretora do mundo.

Numa série de entrevistas dadas após a implosão da FTX, Bankman-Fried admitiu ter cometido graves erros de gestão, embora ressalve que não tentou defraudar quem seja, ou infringir a lei. Em declarações preparadas para uma audiência com a Câmara dos Representantes dos EUA, prevista inicialmente para esta terça-feira, Bankman-Fried admitiu formalmente que fez “asneira”, citou a Bloomberg.

O antigo CEO acrescentou ainda que a nova direção da empresa, sob a liderança de John Ray, tem repetidamente rejeitado as suas ofertas de ajuda na reestruturação da FTX, não tendo havido lugar a resposta aos cinco emails enviados por Bankman-Fried.

Quem é Sam Bankman-Fried?

A FTX foi fundada em 2019 por Sam Bankman-Fried, um antigo gestor de Wall Street, cuja empresa chegou a movimentar cerca de 10 mil milhões de dólares em criptomoedas por dia. SBF, alcunha pela qual também é conhecido, começou enquanto gestor na corretora norte-americana, Jane Street Capital, após se formar em física em 2014, no Instituto de Tecnologia de Massachussets.

Ao fim de três anos, em 2017, Sam Bankman-Fried deparou-se com o fenómeno da Bitcoin, uma criptomoeda em ascensão que apesar de atrair os investidores, ainda não beneficiava de plataformas para a sua compra e venda, como outros ativos financeiros.

No ramo das criptomoedas, Bankman-Fried começou por comprar Bitcoin nos EUA e a proceder à sua venda no Japão, onde arrecadava até 10% da diferença, segundo a Forbes. Através deste negócio, o antigo CEO da FTX acabou por criar o fundo de investimento Alameda Research, a novembro de 2017, com 25 anos.

Após a fundação do braço de investimento, Bankman-Fried voltou-se para a construção da corretora de criptomoedas, FTX, em 2019, nomeadamente em Hong Kong, por motivos relacionados com a regulação. Por meio da Alameda, Bankman-Fried criou a liquidez necessária à FTX e eventualmente mudou-se para as Bahamas.

Em 2020, o empresário criou a FTX.US, sediada no Estados Unidos, mas embora fosse suposto este ramo agir de forma independente da FTX, os efeitos de contágio da empresa-mãe fizeram-se sentir na subsidiária. No seu auge, a FTX foi avaliada em 32 mil milhões de dólares, enquanto Bankman-Fried foi uma das 100 pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna de 15,6 mil milhões.

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