Criptos lambem feridas do ano velho. Começam 2023 a subir

ECO - Parceiro CNN Portugal , Flávio Nunes
10 jan, 09:45
A sucursal portuguesa do Bison Bank tem agora condições para oferecer os mesmos serviços de um banco tradicional, mas adaptado ao mundo das criptomoedas. Foto: Kin Cheung/Arquivo/AP

Principais criptomoedas acumulam ganhos desde 1 de janeiro, depois das perdas significativas de 2022, ano marcado pelo colapso da FTX e outros projetos importantes.

A chegada do ano novo está a dar um pequeno alento a quem tem cripto no portefólio. Depois de um 2022 de prejuízos para muitos especuladores, marcado pelo colapso de projetos de grande dimensão, a generalidade das criptomoedas pinta-se de verde nas poucas sessões concluídas desde 1 de janeiro de 2023.

O mercado é historicamente volátil e este facto está longe de poder sinalizar uma recuperação ao longo do ano que se inicia. Ainda assim, a verdade é que, entre 1 de janeiro e as 19h de segunda-feira, a hora de fecho deste artigo, é difícil encontrar uma criptomoeda a desvalorizar face ao dólar no acumulado desses nove dias.

A bitcoin, a maior e mais popular, acumulava uma subida superior a 4%, trocando de mãos a pouco mais de 17 mil dólares cada moeda. O Ethereum destacava-se com uma subida bem mais expressiva, acima dos 11%, para mais de 1.300 dólares a unidade. Já a Solana, um projeto desconhecido do grande público, subia mais de 67% desde o início de 2023, segundo os dados da plataforma CoinMarketCap.

Bitcoin entra em 2023 a subir

Fonte: CoinMarketCap

É importante contextualizar estas subidas. Em primeiro lugar, o ano ainda vai no início, pelo que ainda é muito cedo para aferir uma tendência. Em segundo, existe uma correlação entre as diferentes criptomoedas e, cada vez mais, entre estas e o mercado financeiro regulado. No mesmo período, com menos sessões a registar (ao contrário das bolsas, o mercado cripto não fecha), o S&P 500, índice de referência norte-americano, também regista ganhos, ainda que inferiores a 3%.

Em terceiro, estas valorizações acontecem depois de um ano de perdas bastante avultadas, marcado pelo colapso de projetos importantes, como foi o caso da corretora FTX. Cerca de dois biliões de dólares desvaneceram-se do mercado, avaliado agora em cerca de 858,2 mil milhões. Só a bitcoin caiu mais de 60% em 2022, o que significa que 100 dólares aplicados a 1 de janeiro do ano passado chegaram a 2023 a valer apenas 40. No caso do Ethereum, as perdas aproximaram-se mais dos 70%.

“Estes movimentos de curto prazos significam pouco”, comenta ao ECO Afonso Eça, diretor executivo do centro de excelência, inovação e novos negócios do BPI e professor convidado da Nova SBE.

De acordo com o especialista, “o ambiente em termos de ativos de risco é relativamente positivo” e “é normal” que os ativos “que caíram mais no ano passado” subam neste arranque de ano, à luz desse sentimento positivo. “Se significa que o ano vai ser bom ou mau, não tem esse poder de sinalização”, conclui.

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