Ministro da Defesa da Ucrânia diz que, apenas nos primeiros quatro meses de 2026, foram contratados mais 300% de drones de ataque de médio alcance do que em todo o ano de 2025
Os ataques com drones da Ucrânia contra as linhas de abastecimento russas estão a cortar as ligações entre a Crimeia ocupada e o território continental controlado por Moscovo.
A convicção foi expressa pelo ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, que afirmou que a península “vai transformar-se numa ilha”, admitindo que esse isolamento poderá ter “consequências muito inesperadas” para as forças russas.
Numa entrevista publicada na quarta-feira pelo Euromaidan, Fedorov estabeleceu uma ligação direta entre os ataques à logística russa e a evolução dos combates na linha da frente. Segundo o governante, quanto mais a Ucrânia consegue atingir rotas de abastecimento, menor é o número de operações ofensivas lançadas pelas tropas russas.
O Ministério da Defesa diz acompanhar essa relação de forma permanente e identifica uma “correlação direta” entre ambos os fatores.
O ministro revelou ainda que, apenas nos primeiros quatro meses de 2026, a Ucrânia agregou mais 300% de drones de ataque de médio alcance do que em todo o ano de 2025. Em abril, Volodymyr Zelensky já tinha afirmado que o número de meios de ataque deste tipo contratados este ano era cinco vezes superior ao do ano passado.
Entre os dias 7 e 13 de junho, drones ucranianos atingiram a ponte de Chonhar, a travessia entre Henichesk e Arabat Spit, quatro pontes perto de Armiansk e o posto de controlo de Dzhankoi. De acordo com responsáveis instalados pela Rússia, já não restam pontes intactas nas entradas terrestres da Crimeia, tendo o tráfego sido sucessivamente desviado e interrompido devido aos ataques.
Apesar de antecipar "consequências inesperadas", Fedorov não especificou quais poderão ser nem quando poderão ocorrer.
