Uma casa forrada a plástico e um cadáver espalhado por sacos. Encontraram um "Dexter" em Espanha

6 ago, 08:56
Guardia Civil (Olmo Blanco/Getty Images)
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Investigação que esteve mais de cinco anos parada voltou a arrancar depois de uma descoberta

“Não fui eu. Não têm nada contra mim. E sei que não podem provar porque tenho muito tempo livre e já vi o CSI e muitas outras séries policiais.”

A estranha postura do primeiro interrogatório de um homem suspeito de matar o amigo em Málaga teve tanto de estranho como de duvidoso. A Guardia Civil não desistiu, juntou mais informação e provas e voltou à carga.

De acordo com o jornal El País, quando as autoridades voltaram a falar com o homem já tinham mais certezas sobre a sua ligação ao homicídio de um outro homem seis anos antes em Coín, nos arredores de Málaga. Provas tão irrefutáveis que o próprio reconheceu o que tinha acontecido.

E foi aí que surgiu o pormenor que faz desta uma história singular. Entre as muitas séries policiais invocadas estava Dexter, a mesma em que o protagonista executa vários homicídios com um cuidado cirúrgico, envolvendo o local dos seus crimes em plástico para facilitar tudo.

O mesmo fez este homem antes de esquartejar o cadáver do amigo durante vários dias, antes de o colocar os bocados do corpo num saco que depois ia para dentro de outro saco que acabava dentro outro saco. Lá dentro iam também as luvas de látex que utilizou para toda a operação.

Mais tarde admitiu ter distribuído cada pacote por diferentes pontos da urbanização de Pinos de Alhaurín. A brigada de homicídios de Málaga seguiu as indicações, levou até cães ao local, mas não encontrou nada. E já se sabe que sem corpo uma condenação por homicídio é sempre mais difícil.

O tempo foi a maior dificuldade para conseguir provar que este homem de 65 anos tinha mesmo matado o amigo. A vítima, Francisco José Agüera, desapareceu no início da pandemia de covid-19, em abril de 2020, quando o confinamento já estava em vigor.

Os familiares denunciaram o desaparecimento do homem, então com 59 anos, as autoridades procuraram em todo o lado, mas não conseguiram encontrar nada. Como Francisco José Agüera era adulto as autoridades decidiram declarar este um caso de baixa prioridade, admitindo mesmo que o próprio tivesse desaparecido por vontade própria.

Durante os cinco anos seguintes essa ideia não mudou. Não houve mais denúncias ou investigações.

Mas em junho de 2025 um funcionário municipal encontrou um crânio dentro de uma bolsa de plástico escondida precisamente em Pinos de Alhaurín. “Quando se encontra algo assim, sabes que há violência por detrás, porque ali também cabia o corpo… E não estava”, explica fonte da investigação ao El País.

Ainda assim, sem conhecer a identidade da vítima era difícil arrancar com algo mais concreto.

Só já em 2026 é que as autoridades perceberam que aquele crânio era de Francisco José Agüera. Mesmo com uma desvantagem de seis anos, a Guardia Civil colocou a operação em marcha. “O crime tinha sido há muito tempo e isso complicava qualquer passo”, refere fonte da investigação, explicando que era quase impossível reconstruir o que tinha acontecido nas horas antes da morte.

Seguiram-se vários interrogatórios a amigos, conhecidos, familiares, mas o primeiro clique só se deu quando as autoridades se aperceberam de que o local onde foram encontrados os restos mortais ficava muito perto da casa da irmã de um dos amigos da vítima.

Quando falaram com o homem, aí já suspeito, notaram algum nervosismo. Negou ser o assassino, mas as respostas mostraram alguma contradição e foi aí que surgiu a história das séries criminais.

Com recurso a vários meios tecnológicos, a investigação conseguiu estabelecer a ligação entre crime e criminoso. Aí voltaram até ele, que confessou prontamente o crime. Justificou o ato com uma luta entre os dois porque, segundo o homicida, a vítima o tinha roubado.

Essa mesma luta levou a que o assassino desmaiasse e caísse em cima da vítima, asfixiando-a até à morte. É a justificação do confesso homicida, mas na qual a Guardia Civil não acredita.

Sem saber o que fazer a seguir, o homicida inspirou-se em Dexter, forrou toda a casa a plástico e, durante vários dias e com meios rudimentares, tratou de desmembrar o corpo, colocando-o então em diferentes bolsas que viria a espalhar posteriormente.

Só depois de aconselhado pelo advogado é que o homem levou os agentes até ao local onde tinha deixado parte do corpo. Demoraram cinco horas, mas encontraram o tronco, com as autoridades a acreditarem que isso poderá ajudar a identificar a causa da morte.

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