REVISTA DE IMPRENSA | A investigação identificou dezenas destas sociedades, incluindo 38 que tinham sede registada num gabinete de psicologia em São João da Madeira, sem qualquer ligação ao esquema
Uma alegada rede criminosa é acusada de ter branqueado cerca de 88 milhões de euros provenientes de vendas sem fatura realizadas em estabelecimentos comerciais da Zona Industrial da Varziela, em Vila do Conde, avança o Jornal de Notícias. O esquema, segundo o Ministério Público do Porto, permitia transferir os rendimentos para a China sem qualquer pagamento de impostos em Portugal.
De acordo com a acusação, quatro dos arguidos assumiam o papel central na operação, recolhendo o dinheiro gerado pelas lojas aderentes ao esquema. Quase diariamente, um deles percorria os estabelecimentos para recolher quantias transportadas em grandes sacos de plástico pretos, distribuindo depois o dinheiro por vários estafetas.
Esses estafetas deslocavam-se a diversas agências bancárias da Região Norte para efetuar depósitos, sobretudo através de caixas ATM. As verbas eram divididas em montantes inferiores a dez mil euros, evitando assim acionar mecanismos de controlo e deteção de branqueamento de capitais por parte das instituições financeiras.
O dinheiro era depositado em contas tituladas por empresas sem atividade real, criadas com recurso a documentos de identificação falsificados e moradas falsas. A investigação identificou dezenas destas sociedades, incluindo 38 que tinham sede registada num gabinete de psicologia em São João da Madeira, sem qualquer ligação ao esquema. Depois de utilizadas durante alguns meses, eram abandonadas e substituídas por novas firmas.
A Polícia Judiciária desmantelou a rede numa operação realizada em maio de 2025, que resultou na detenção dos quatro principais suspeitos. Foram apreendidos mais de 1,5 milhões de euros em numerário e quatro automóveis de gama alta. No total, o Ministério Público acusou 14 cidadãos chineses e oito empresas pelos crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais e falsificação, reclamando ainda a perda dos valores apreendidos e o pagamento dos restantes 86,5 milhões de euros.
