Um triângulo amoroso que acabou em tragédia. O mistério do homicídio de uma ciclista norte-americana começa a ser desvendado

24 mai, 10:26
Ciclismo

Anna "Mo" Wilson era a grande favorita à vitória numa competição de ciclismo do Texas, mas nunca chegou a competir. Foi assassinada a poucos dias de completar 26 anos, num crime que chocou a comunidade desportiva. A revelação da principal suspeita ajuda a desenhar o contexto do crime, que terá tido origem num triângulo amoroso

Anna Moriah Wilson, uma ciclista de 25 anos, foi encontrada morta num apartamento no dia 11 de maio no estado do Texas, nos Estados Unidos da América, para onde tinha viajado para participar numa competição desportiva.

De acordo com informações adiantadas pela polícia, a jovem terá sido alvejada várias vezes, num crime que parece ter sido intencional. Apesar das tentativas de reanimação, o óbito foi declarado no local. 

O mistério do crime começa agora a dissipar-se, com um comunicado do Serviço de Delegados de Polícia dos Estados Unidos divulgado na passada sexta-feira. No documento, as autoridades urgem o público a comunicar quaisquer notícias sobre o paradeiro daquela que é a principal suspeita no crime: Kaitlin Marie Armstrong, uma instrutora de ioga de 34 anos. 

O que une, afinal, as duas mulheres? A resposta é Colin Strickland, um ciclista de 35 anos com quem ambas terão tido uma relação e que encerra este triângulo amoroso que se revelou fatal. 

Um futuro promissor, interrompido

Anna Moriah Wilson, natural do estado de Vermonte, viajou em maio para a cidade de Hico, no Texas, onde iria participar numa competição de ciclismo todo-o-terreno. 

Também conhecida por "Mo" entre os amigos e os fãs, a jovem tinha-se destacado recentemente no panorama desportivo com prestações que a catapultaram para as manchetes desportivas e lhe concederam dez vitórias em competições no ano de 2022.

O seu reconhecimento entre o público também era crescente, com milhares de seguidores nas redes sociais e várias colaborações com marcas de ciclismo. 

Era apontada como uma das grandes favoritas à vitória na competição de Gravel Locos, mas nunca chegou a competir. O que aconteceu? 

 

Uma declaração da polícia do condado de Travis, no Texas, esclarece que, na noite em que foi assassinada, "Mo" teria visitado a piscina pública de Deep Eddy com o também ciclista Colin Strickland. 

Segundo o depoimento prestado à polícia, Strickland terá deixado Wilson em casa de uma amiga, onde acabou por acontecer o crime.

O atleta de 35 anos admitiu um romance fugaz com "Mo" em outubro, durante uma pausa de "uma ou duas semanas" no relacionamento de três anos com Kaitlin Marie Armstrong, mas garantiu que a relação era agora estritamente platónica e profissional.

No documento da polícia, é adiantado que Wilson e Strickland terão trocado mensagens antes e após a tarde que passaram juntos, mas que o nome da ciclista terá sido alterado na lista de contactos "para que Armstrong não soubesse com quem [o parceiro] estava a comunicar". 

Strickland explicou ter sentido a necessidade de ocultar a identidade de Wilson devido aos ciúmes da namorada, com quem tinha acabado por se reconciliar. A instrutora de ioga teria, em ocasiões passadas, contatado a ciclista por telefone para a recordar de que "era ela quem estava a namorar com Strickland" e alertado a jovem para "manter a distância". 

A análise das circunstâncias da morte parece incriminar Armstrong como a mais provável culpada. Um automóvel semelhante ao da mulher de 34 anos, um Jeep Grand Cherokee, foi filmado em frente à casa onde ocorreu o crime por câmaras de vigilância de uma moradia na vizinhança, uma hora antes do alerta ter sido dado.

Uma fonte, que solicitou anonimato, testemunhou que a parceira de Strickland terá ficado "furiosa e a tremer de raiva" quando descobriu o envolvimento romântico entre os dois ciclistas, em janeiro deste ano, tendo confessado "querer matar" Wilson.

Mas foi uma pistola de calibre de 9mm, encontrada em casa do casal e com probabilidade "considerável" de ser a arma do crime, que intensificou as suspeitas e levou a mulher a ser detida pela polícia.

As autoridades foram mais tarde informadas de que o mandato de captura era "inválido" e autorizaram Armstrong a abandonar as instalações, embora não tenham sido adiantadas mais informações sobre o incidente.

Com a principal suspeita em liberdade - e incontactável desde o dia 13 de maio - o Serviço de Delegados de Polícia dos Estados Unidos apela agora a que quaisquer informações sobre o seu paradeiro sejam comunicadas.

As autoridades divulgaram ainda a matrícula do Jeep Grand Cherokee conduzido por Armstrong, acrescentando ser provável que a mulher esteja em fuga com o mesmo carro que contribuiu para a incriminar.

A "vida roubada" de uma jovem com sonhos por conquistar 

Colin Strickland, o terceiro elemento do triângulo amoroso, já se pronunciou sobre o envolvimento da parceira na morte de Wilson.

Numa declaração partilhada com o The American-Statesman, Strickland desabafa não conseguir "expressar adequadamente" o seu "arrependimento e tortura" face à "proximidade com este crime horrível". 

"Admirava-a bastante e considerava-a uma amiga próxima", lamenta. "Estou de luto profundo por esta perda". 

A família de "Mo" Wilson também já se pronunciou em exclusivo à NBC News, referindo-se à perda como "sem sentido e trágica". 

"A Moriah era uma jovem talentosa, bondosa e carinhosa. A sua vida foi roubada antes de ter tido a oportunidade de conquistar tudo o que ela sonhava. A nossa família, e todos aqueles que a amavam, vão sentir a sua falta para sempre". 

Tributos e reações à tragédia já começaram a ser partilhados nas redes sociais, sobretudo por atletas e fãs de ciclismo. 

Marisa Vandersteen Boaz, a ciclista que acabou por ganhar a competição no Texas onde estava previsto Wilson participar, recorreu à sua página de Instagram para expressar as condolências.

"Sei que toda a gente que participou deu tudo o que tinha, e acho que é isso que a Mo teria querido", escreveu.

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