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Se uma criança ucraniana se perder para a Rússia "é praticamente impossível" traze-la de volta. Aconteceu a milhares

27 jun 2025, 17:29
Criança passa junto a ucraniano que protesta contra o massacre do teatro de Mariupol (Vadim Ghirda/AP)

Milhares de crianças ucranianas foram raptadas e acredita-se que estejam em território russo. As famílias estão desesperadas a tentar resgatá-las

Obrigadas a cumprir treinos militares, a cantar o hino russo, a obedecer a todas as ordens - caso contrário, são ameaçadas. Pressupõe-se que milhares de crianças tenham sido raptadas pelas forças russas desde 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou a invasão em larga escala. Estas crianças acreditam que a sua vida e a dos seus pais pode estar em risco.

Segundo uma equipa de peritos da Universidade de Yale, estão cerca de 35 mil crianças ucranianas desaparecidas e as forças russas podem estar por detrás disso. Os especialistas consideram esta ação um crime de guerra. “Este é provavelmente o maior rapto de crianças em guerra desde a Segunda Guerra Mundial”, declara o diretor executivo do Laboratório de Investigação Humanitária de Yale, Nathaniel Raymond, ao The Guardian.

São várias famílias ucranianas que se veem agora obrigadas a tomar medidas perigosas - incluindo rumar até à Rússia - para resgatar os filhos que julgam estar em territórios russos. Este mês, durante as negociações de cessar-fogo na Turquia, a Rússia negou os vários pedidos de libertação. A Ucrânia chegou mesmo a ser acusada de “encenar um espetáculo sobre o tema das crianças perdidas”.

"Por vezes há casos de um pai em território ucraniano e de outro em zona ocupada com a criança. Se esse pai morrer ou for detido, então a criança é deixada sozinha e em risco de a enviarem para um orfanato. Se isso acontecer, é praticamente impossível de trazer a criança de volta. Vão-se perder", acrescenta Daria Kasyanova, diretora da Rede de Direitos das Crianças Ucranianas.

A grande preocupação centra-se na possibilidade de estas crianças serem levadas para campos militares, famílias de acolhimento, ou até mesmo que sejam adotadas por famílias russas - algo que não está no controlo dos seus pais, que se tornam impotentes na tentativa de recuperar a criança. 

“Tirar uma criança de um grupo étnico ou nacional e torná-la parte de outro grupo étnico ou nacional - isso é um crime de guerra”, afirma Nathaniel Raymond, que reforça ainda a ideia de que estas crianças são utilizadas como moeda nas negociações entre a Rússia e a Ucrânia. 

Também o Tribunal Penal Internacional (TPI) considera que estamos perante um “crime de guerra”, o que levou a que em 2023 fossem emitidos mandados de detenção contra o presidente russo, Vladimir Putin, e a sua comissária para os direitos das crianças, Maria Lvova-Belova.  

Segundo a organização ucraniana Bring Kids Back, pouco mais de mil crianças foram devolvidas ou conseguiram escapar, o que indica que há muitas crianças sob a alçada das forças russas.

Desde o início do conflito armado desencadeado pelas tropas russas no território ucraniano, em 2022, que milhares de crianças têm sido raptadas, levadas após a morte dos pais ou até mesmo tiradas das suas famílias à força.

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