Porque é que as crianças sangram mais do nariz? Enquanto pais, quando é que nos devemos preocupar?

CNN Portugal , FMC
24 set, 22:00
Porque é que as crianças sangram mais do nariz? (BSIP/ Getty Images)

Por mais assustador que possa parecer. as hemorragias nasais em crianças são comuns e devem-se sobretudo à maior propensão dos mais novos para infeções respiratórios e ao hábito conhecido de introduzir o dedo no nariz

Para qualquer pai ver o filho mal é sempre assustador e muitas vezes as constantes hemorragias nasais geram motivos de preocupação. Contudo, na esmagadora maioria das vezes não é alarmante e algo bastante normal.  

Ainda que deitar sangue do nariz ocorra também em adultos, a hemorragia espontânea é mais frequente nas crianças e o pediatra Hugo Rodrigues explica porquê.  

Porque é que as crianças sangram mais do nariz do que os adultos?  

Importa primeiro referir que a parte interna do nariz tem um conjunto de veias de fácil acesso e como tal, vulneráveis a traumatismos. E esta composição é transversal para todas as idades. Contudo, as lesões nessas veias em crianças são mais recorrentes especialmente em duas alturas do ano: no inverno e no verão.  

Primeiro, como explica o pediatra Hugo Rodrigues, os mais novos são mais propensos a infeções respiratórias o que conduz a um aumento da quantidade de sague nas veias, tornando-as mais suscetíveis a hemorragias.

Na sequência de problemas respiratórios, a agressividade no ato de assoar o nariz também pode provocar pequenas perdas de sangue, uma situação com a qual muitos (crianças ou adultos) se podem identificar.  

Uma razão adicional que distingue as crianças dos adultos é “o hábito de pôr o dedo no nariz”  que motiva pequenos traumatismos. Às vezes o mais ligeiro toque pode lesar as veias mais superficiais.  

Além disso, as crianças são mais ativas fisicamente o que contribui para uma dilatação dos vasos sanguíneos, tornando-os mais sensíveis.  

Apesar destas serem as causas mais comuns, Hugo Rodrigues nota que “às vezes basta o ar estar mais seco” para que as hemorragias ocorram. 

Em relação às estações do ano, o médico esclarece que a maior propensão no inverno se deve sobretudo à maior probabilidade de infeções. No verão, é o calor que conduz a uma maior dilatação das veias e consequente aumento do risco de traumatismos.  

O que se deve fazer?  

Nunca se deve colocar a cabeça para trás como muitas vezes é praticado, alerta de imediato o pediatra. Esta posição vai fazer escorrer o sangue para a garganta e poderá levar a que entre nos pulmões, o que deve ser evitado. Por isso, a postura a adotar é a contrária: incline a criança para a frente e aperte “dos dois lados, abaixo dos ossos do nariz, contra o septo” durante cinco minutos em crianças. O tempo cresce para quinze minutos nos adolescentes e adultos.

O médico adverte que é importante que se apertem os dois lados e não apenas o que está a sangrar. Por outro lado, o tempo deve ser ininterrupto, não se devendo pausar para verificar se o sangue já está estancado. Se passados os cinco minutos ainda sangrar, repetir o processo.  

O gelo, ainda que não seja crucial, pode ajudar a diminuir a hemorragia. 

Quais os sinais alarmantes?  

À partida, segundo Hugo Rodrigues, este tipo de situações não é indicativo de nada que não seja uma pequena ferida no nariz. Contudo, é importante estar atento a alguns sinais que podem exigir cuidados médicos. Estes são os sinais a que devemos estar atentos, elencados pelo pediatro: se as hemorragias forem “recorrentes, se o estancamento não funcionar e a criança continuar a sangrar, se aparecerem hemorragias noutros lugares, como gengivas”, se aparecerem nódoas negras sem explicação em várias partes do corpo e se estiver perante uma criança que está a emagrecer sem causa ou que tem “infeções respiratórias de repetição”.  

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