Cláudia, Sofia, Tatiana, Hélder, Rui Pedro e Maddie: estas seis crianças estão dadas como desaparecidas há demasiado tempo

25 mai, 07:00
Casaco de criança pendurado. Foto: John Greim/LightRocket via Getty Images

No último ano, desapareceram mais de mil crianças de norte a sul do País, a maioria adolescentes entre os 14 e os 17 anos. Na maioria dos casos que ocorrem todos os anos, o final é feliz. Não é o caso destas histórias envoltas em mistério

No último ano, desapareceram mais de mil crianças de norte a sul do País, a maioria adolescentes entre os 14 e os 17 anos. Os dados adiantados à CNN Portugal pela Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (APCD) revelam que quase todos os casos que se vivem de ano para ano têm tido um final feliz.

“Em Portugal, em 2022, desapareceram 1102 crianças menores de 17 anos”, explicou a presidente daquela associação, Patrícia Cipriano, acrescentando que 178 tinham menos de 14 anos e as restantes 924 mais de 14. “Falamos de crianças que estão em instituições; falamos de fugas de casa, nomeadamente adolescentes; falamos de raptos nacionais e internacionais de menores e de subtração de menor”, explica ainda a advogada e responsável da APCD.

A quase totalidade dos casos anuais, diz, são “situações que se resolvem” da melhor maneira. As crianças são encontradas. Mas há casos que se arrastam anos e anos envoltos num mistério sobre o paradeiro do menor.  “Arrisco-me a dizer que é das piores tragédias que pode acontecer numa família”, frisa Patrícia Cipriano, reconhecendo que “estas famílias passam a ter a vida em suspenso, por não se saber o que aconteceu”.

No site da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (APCD) estão seis crianças que são dadas como desaparecidas há demasiado tempo. Cláudia, Sofia, Tatiana, Hélder, Rui Pedro e Maddie - ninguém sabe o que lhes sucedeu. Estão também na lista na página oficial da Polícia Judiciária, menos Cláudia que mesmo sem resolução do mistério teve ordem de destruição por parte da Justiça. No Dia Internacional da Criança Desaparecida, que se assinala esta quinta-feira, dia 25 maio, a CNN Portugal lembra as histórias destes menores.

Os 400 metros de Cláudia

Eram 400 metros de distância entre a casa onde vivia e a escola. Mas foram suficientes para que Cláudia Alexandra Silva e Sousa desaparecesse, em maio de 1994, na freguesia de Oleiros. Desde esse dia nunca mais se soube dela. Passaram 29 anos. Em 2017, a justiça deu ordem de destruição do processo e por isso as autoridades já não investigam o seu desaparecimento. Nem o seu nome consta na página das pessoas desaparecidas da Polícia Judiciária.

Tinha tido aulas de manhã e costumava ficar na escola à tarde. Naquele dia, uma funcionária da escola pediu para ir a casa buscar sacos para o lixo, que a mãe da menor costumava ter. Por acaso, não tinha. Cláudia terá voltado para a escola, mas nunca lá chegou. Família, populares, GNR e, por fim, a Polícia Judiciária procuraram, mas não encontraram nada. 

Em 2021, numa entrevista ao jornal Luso, a mãe confessou ter as suas suspeitas do que pode ter acontecido. Desconfia que uma prima lhe levou a menina. E aponta o dedo à ação da Polícia Judiciária, que não deu como provadas as suas suspeitas. Disse que a prima lhe “pediu” uma filha.

Esta não aparentava ser uma família que se desse bem. Uma tia da criança, irmã do pai, também tinha ido ao registo civil pedir uma certidão de nascimento da Cláudia, sem o consentimento dos pais. Foi interrogada e garantiu que o fez a pedido de outra irmã e que lhe tinham contado que os pais tinham vendido a menina.

A PJ interrogou essa tia que confirmou que o tinha feito a pedido de uma outra tia que morava em Vila Nova de Gaia. Disse também aos agentes que tinha ouvido dizer que os pais teriam vendido Cláudia por 400 contos. Tese confirmada pela outra tia, também ouvida pela Judiciária. Esta contou que lhe tinha chegado o rumor de que a sobrinha estava em Espanha e que, quando falou com a Guardia Civil, lhe foi dito disse que precisavam do documento para investigar.

Ainda hoje, a mãe, diz que foram acusados injustamente e acrescenta que espera que nunca sofram “o que ela sofreu”.

Uma vizinha foi a última pessoa a ver Cláudia a meio caminho entre a casa e a escola. A menina terá passado a correr junto ao seu portão. Garante que ouviu as portas de um carro a bater e que, depois disso, Cláudia nunca mais foi vista. Outros populares falam num carro “estranho” que ali tinha andado. Mas nada foi descoberto pelas autoridades.

Em 2017 foi dada ordem de destruição do processo. E é nesta altura que a esperança da mãe começa a ceder. Antes de Cláudia, já tinha perdido um filho: “Eu sei onde ele está. Da Cláudia eu não sei nada. E isso é uma dor sem explicação”, disse na mesma entrevista ao Luso.

Cláudia media pouco mais de um metro e tinha cabelo castanho. Além disso, tinha uma cicatriz com cerca de 10 cm na coxa direita, uma cicatriz no lábio inferior e outra num dedo da mão.

Sofia e o segredo do pai

Sofia Catarina Andrade de Oliveira tinha dois anos quando desapareceu. Foi a 22 de fevereiro de 2004 pelas 20:45, no centro de Câmara de Lobos. Esta é um história um pouco diferente já que autor do rapto é conhecido e até foi condenado em tribunal. Pai e mãe estavam separados. O pai tirou a filha literalmente do colo da mãe, e até hoje não diz o que aconteceu, nem onde ela está.

Naquele dia, algumas horas após fugir com a filha, por volta das 23:30, o pai foi à esquadra da PSP da mesma localidade, já sem a menina, onde se encontrava a mãe a dar conta do desaparecimento da filha.

Na altura, quando foi levada pelo pai, vestia uma camisola, com desenhos de flores de cor roxa, e umas calças, de cor cinzenta, com desenhos estampados, calçando meias brancas e vermelhas. Não tinha sapatos.

Na fuga com a menor, o pai apanhou primeiro um táxi e depois boleia de um familiar, tendo sido avistado a pé, com a filha, às 21.30 horas, no Caniço de Baixo. Foi detido dois dias depois e condenado, em 2005, a nove anos de prisão pela prática dos crimes de coação na forma tentada, sequestro e subtração de menores. Pena que um recurso iria diminuir para seis anos e cinco meses.

Nunca disse onde estava a menina. Nem à polícia, nem ao tribunal. Apenas garantiu que ela estava bem e que o segredo iria morrer com ele. Se estiver viva, Sofia já tem mais de 20 anos. A sua foto, ainda pequena, e o seu nome ainda estão na página das pessoas desaparecidas da Polícia Judiciária.

Numa entrevista ao jornal semanário Sol, em 2013, o pai confirmou que esteve em Caniço de Baixo porque vivia lá uma irmã sua. “É normal que tenha sido visto onde tinha a minha irmã a viver. Apanhei três meios de transporte diferentes para não dar pistas a ninguém”, confessou.

Foi descrito por especialistas como alguém preparado, psicológica e fisicamente, para qualquer pena que lhe viesse a ser aplicada.

Cumpriu pena e está em liberdade. Em 2013, altura em que cedeu a entrevista, tinha voltado a trabalhar na pesca. Manteve a versão de que a menina estava bem. “Sou do tipo de pessoas que se mantém firme até ao fim. Mais nada”.

O pai garante que enquanto esteve com a Polícia Judiciária sofreu muito: “Tive um mês debaixo da PJ. Socos e pontapés. Os meus interrogatórios eram feitos da meia-noite às cinco ou seis da manhã”.

Mas, até agora, nada o fez falar. A mãe de Sofia não sabe o que aconteceu à filha, mas espera que ela esteja bem e viva.

Ninguém sabe nem como desapareceu Tatiana

Tatiana Paula Mesquita Mendes é mais um dos nomes na lista das crianças desaparecidas em Portugal. Na verdade, o seu nome pode ser outro. Na página da Polícia Judiciária admite-se que se possa chamar também Odete Araújo Freman ou Odete Araújo Freman Frima.

E, ao certo, só se sabe que desapareceu em maio de 2005. Nem uma data certa existe. Foi adoptada por uma familiar da mãe e viajou para Portugal em Maio de 2004 com o casal.

No entanto, um ano depois, em Maio de 2005, a mãe adotiva contou à mãe biológica que a menor tinha sido entregue a uma outra pessoa, ainda em 2004. E como se não bastasse, ainda informou a mãe de Tatiana que  a menor teria falecido, num acidente de viação, na zona de Badajoz, em Espanha. Algo que ninguém conseguiu confirmar. E, por isso, até hoje, o seu paradeiro é desconhecido e está dada como desaparecida.

O caso de Tatiana nunca foi notícia e da sua vida pouco ou nada se sabe. Terá nascido em junho de 1998. Ou seja, teria seis anos quando foi trazida para Portugal.

Anos depois, na página de um blogue de um nome conhecido na Guiné Bissau - Fernando Casimiro - surgiu uma carta, supostamente da mãe biológica de Tatiana, contando a sua versão dos acontecimentos. Explica que perdeu o marido em 1999 e, com quatro filhos a cargo, foram muitas as dificuldades. Até que alguém, uma prima, se ofereceu para levar a filha para Portugal e a educar, dando-lhe melhores condições.

A criança foi então registada com o nome de Tatiana Paula Mesquita Mendes. Na altura em que a criança nasceu, o pai ficou doente e o desenrolar dos acontecimentos impediu a mãe de fazer o documento oficial. Viajar com a criança seria então mais fácil. Mas, para a mãe, o seu nome era e sempre tinha sido Idalécia.

A mãe garante que falava regularmente com a filha, o que deixou de acontecer em maio de 2005. Durante algum tempo, a prima não lhe contou nada e arranjava desculpas para a ausência da criança em casa. Após muito insistir, ter-lhe-á sido dito que a criança tinha morrido num acidente de viação em Espanha. Todavia, não havia uma certidão de óbito, documento que a mãe pediu.

A mãe apresentou queixa à Polícia Judiciária da Guiné-Bissau. E esta entrou em contacto com a sua congénere portuguesa. Já em Espanha não havia registo de nenhum acidente de viação na data referida pela prima.

Confrontada pela Polícia Judiciária portuguesa, a prima admite que a criança veio para Portugal para ser entregue a uma outra senhora e que a mãe sabia. Algo que ela nega. A única certeza é que o seu paradeiro é incerto.

Hélder, o rapaz da mochila azul com riscas amarelas e encarnadas

Hélder Alexandre Ferro Pagarim Cavaco desapareceu em janeiro de 1990. Este será dos casos mais antigos em Portugal. Estaria na zona da praia de São Torpes, em Sines, a praticar surf. Nunca mais foi visto. Tinha então 16 anos. Agora, se for vivo está com 49 anos, próximo de fazer 50.

Tinha um sinal particular que era uma cicatriz sob o olho direito. Cabelos e olhos castanhos. Tinha 1,76 metros. Ainda segundo as informações reveladas pela Polícia Judiciária teria vestido calças e blusão de ganga azul.

Transportava consigo uma mochila azul com riscas amarelas e encarnadas. Este é, de todos os casos, aquele que tem menos informações disponíveis.

As perguntas sem resposta de Rui Pedro

Rui Pedro é um dos casos mais mediáticos em Portugal. Desapareceu em 1998 e tinha 11 anos. Vivia na Lousada com a família. Afonso Dias, a última pessoa a ter visto o menor com vida, foi condenado em 2013 a três anos e meio de prisão pelo seu desaparecimento. A pena já foi cumprida.

Por volta das 14:00 de 4 de março de 1998, Rui Pedro pediu à mãe – Filomena Teixeira - para passar a tarde com o amigo Afonso Dias, que tinha 22 anos na altura. Filomena Teixeira disse que não e para ele brincar lá fora. Rui Pedro foi andar de bicicleta. Ao contrário da ordem da mãe, Rui Pedro terá estado com Afonso Dias. Mesmo negando as acusações, Afonso terá levado o menor, no seu carro, a uma prostituta. Algo que esta já tinha contado e confirmou em tribunal.

O que aconteceu depois, ninguém sabe. Falaram-se de avistamentos, apareceram fotografias de crianças semelhantes a Rui Pedro. Falou-se até na possibilidade de ter sido raptado por uma rede internacional de pedofilia, após serem descobertas fotos e vídeos, numa operação policial internacional, com um menino cuja parecença era notória.

Até hoje, ninguém sabe o que realmente aconteceu. Filomena Teixeira sempre lutou para que o caso não fosse esquecido. A história até inspirou um filme: “Sombra”. Oficialmente, a Polícia Judiciária já não está a investigar o desaparecimento, mas, mesmo assim, a sua fotografia permanece na página de pessoas desaparecidas. A mãe e a família continuam à espera de Rui Pedro ou de respostas.

Milhões à procura de Madeleine

De todos os casos que permanecem um mistério, o de Maddie McCann (Madeleine Beth McCann) é o mais recente. A britânica de três anos, que passava férias em Portugal com os pais e os irmãos, desapareceu do apartamento onde estava no dia 3 de maio de 2007, na Praia da Luz, no Algarve. Ela e os irmãos dormiam sozinhos no mesmo quarto e os pais estavam no restaurante do empreendimento turístico, a jantar com os amigos.

Apenas Maddie desapareceu do quarto. Tinha um pijama de calças brancas com motivos florais e parte superior de manga curta, com predominância de cor-de-rosa. Na frente, uma figura de um “jumento” de cor azul e cinza” com a inscrição “EEYORE”.

No dia seguinte, a imprensa de todo o mundo estava em Portugal para seguir o desaparecimento da criança. Foram semanas de buscas, com recursos a meios humanos, e não só, nunca vistos no país.

Até hoje, o que aconteceu continua sem resposta. Os pais de Maddie Gerald Patrick McCann e Kate Marie Healy chegaram a ser constituídos arguidos, por suspeita de envolvimento no caso.

Maddie tinha cabelo louro, liso, pelos ombros. E os seus olhos tinham características únicas: o olho esquerdo era azul e verde e olho direito verde tinha uma mancha castanha na íris. Mas ainda havia outra marca: um pequeno sinal na pele, de cor castanha, no gémeo da perna esquerda.

Juntaram-se milhões, gastaram-se milhões. O caso foi investigado pelas autoridades portuguesas, pela polícia britânica e, está agora também a ser investigado pela polícia alemã. Nos últimos dias, assistiu-se em Portugal, 16 anos depois do desaparecimento, a novas buscas na Barragem do Arade, no Algarve, a pedido das autoridades alemãs e com a colaboração da PJ. Há um suspeito alemão, Christian Bruckner, a cumprir pena por outros crimes, que pode estar ligado ao desaparecimento de Maddie e é esta possibilidade que está a ser seguida.

“Nós nunca desistimos, nunca desistimos e estamos sempre ao lado das famílias”

A Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas nasceu pouco tempo depois após o desaparecimento de Maddie. “Era uma jovem advogada. Comecei a pesquisar o que é que se estava a passar com outros casos de desaparecimento de crianças em Portugal e verifiquei que havia várias crianças desaparecidas, nomeadamente nos anos 90, cujos desaparecimentos nunca tinham sido resolvidos”, recorda Patrícia Cipriano, que explica o objetivo da associação. 

“Aquilo que pretendemos e temos feito é estar ao lado das famílias das crianças desaparecidas. Desde que há o alerta, até uma localização da criança com vida e em segurança”, explica. Mas quando a criança não é encontrada e as respostas não existem, o trabalho continua: “Estes processos nunca se extinguem. Aliás, foram eles o motor da atividade desta associação e, portanto, nunca poderíamos deixá-los para trás”.

E há histórias que são uma esperança para quem lida com estas situações. "Há bem pouco tempo apareceu uma rapariga que estava desaparecida há muitos anos. Assim como já aconteceu haver pessoas sequestradas durante sete e dez anos e depois conseguiram se libertar”, conta, garantido que são casos como estes que mostram que não se deve cruzar os braços. “Nós nunca desistimos e  estamos sempre ao lado das famílias”.

E não é só a família que é tocada pela tragédia: “Afeta todos na família e afeta também a comunidade onde se inserem. O sentimento de insegurança comunitária aumenta exponencialmente sempre que uma criança desaparece ou sempre que uma criança é vítima de um crime”.

Mas o vazio pior e quase inimaginável é na família, garante: “Esta dúvida perdura por toda a vida das pessoas mais próximas, nomeadamente dos pais e dos irmãos. E estes também que nos merecem uma especial atenção, porque os irmãos, quando há um desaparecimento, sentem-se um bocadinho deixados para trás”. Outras vezes “querem assumir o lugar daquele que desapareceu, não só para animarem os pais, mas também porque acham que de alguma forma terão mais atenção”.

“Há erros, nós somos humanos, mas há erros que custam muito caro”

Desde o caso de Rui Pedro que se evoluiu muito nesta área e a ação das autoridades é agora mais rápida nos casos que envolvem crianças. “Aquilo que eu acho é que isto foi gradativo. Houve instruções internas por parte das forças policiais, das direções nacionais, no sentido de que essa regra da espera de 48 horas era absolutamente contrária às finalidades da investigação, nomeadamente, quando as pessoas estão em perigo e uma criança presume-se em perigo. Aliás, quanto mais pequena for, mais o perigo aumenta. Portanto, certamente, a partir do caso do Rui Pedro as coisas começaram a mudar”, refere.

Apesar do longo caminho já feito, a fórmula não é perfeita. Para Patrícia Cipriano é necessário dar mais formação nesta área para se ter “pessoas que saibam fazer o procedimento todo: desde o atendimento até à avaliação de risco”. E essa é uma decisão que pode ser determinante: “A avaliação de risco tem que ser feita num espaço muito reduzido de tempo e tem que ser tomada uma decisão. Portanto, esta avaliação de risco tem parâmetros, tem critérios que devem ser observados e parece-me que em Portugal ainda se falha nessa área”. 

Mais do que parecer, Patrícia Cipriano recorda um caso com um final trágico: “Temos um que é de 2021 e envolve uma estilista britânica cujo filho foi raptado pelo pai. Toda a gente, enfim, andava há uma semana a passar o processo do Ministério Público para a GNR, depois para a Polícia Judiciária, depois a Polícia Judiciária achou que não era competente, depois o Ministério Público acabou por voltar a reafirmar a competência da Polícia Judiciária. Entretanto, a criança morreu. Há erros, nós somos humanos, mas há erros que custam muito caro. Neste caso, custou a vida a uma criança de 3 anos”.

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