Crianças vegetarianas crescem tanto como as que comem carne, mas pesam menos (o que não é bom)

CNN , Kristen Rogers
8 mai, 12:00
Cantina [Foto: Lusa]

De acordo com o comunicado de imprensa dos autores do estudo, ter peso a menos pode ser um sinal de desnutrição e indicar que a dieta não é suficiente para sustentar um crescimento adequado

Se se questiona de que modo é que o seu filho se comportaria numa dieta vegetariana, um novo estudo oferece alguns aspetos a considerar. De acordo com um estudo publicado no jornal Pediatrics, as crianças que têm uma dieta vegetariana e as crianças que comem carne são semelhantes em termos de crescimento, altura e medidas nutricionais. No entanto, as vegetarianas têm maiores probabilidades de ter um peso inferior ao padrão.

“Durante os últimos 20 anos observámos uma crescente popularidade das dietas à base de plantas e um ambiente alimentar em mudança com mais acesso a alternativas vegetarianas. Contudo, não vimos pesquisas sobre os resultados nutricionais das crianças que seguem dietas vegetarianas no Canadá”, disse Jonathon Maguire, o autor principal do estudo e pediatra do Hospital St. Michael's de Unity Health Toronto, num comunicado à imprensa.

Os investigadores utilizaram dados de quase 9 mil crianças com idades entre os 6 meses e os 8 anos, que participaram entre 2008 e 2019 no programa de estudo TARGet Kids!, uma rede de investigação baseada na prática dos cuidados primários e estudo de coorte em Toronto. Os detalhes sobre as dietas destas crianças foram dados pelos pais, que responderam se os seus filhos eram vegetarianos (incluindo também os vegans) ou não vegetarianos.

Durante cada visita de supervisão sanitária ao longo dos anos, os assistentes de investigação mediram o índice de massa corporal, peso, altura, níveis de colesterol, triglicéridos, níveis de vitamina D e os níveis séricos de ferritina dos participantes. A ferritina é uma proteína celular que armazena ferro e permite ao corpo utilizar o mineral quando necessário. Deste modo, um teste de ferritina mede indiretamente os níveis de ferro no sangue, de acordo com o Mount Sinai Health System.

No início do estudo, 248 crianças (incluindo 25 vegans) eram vegetarianas, e mais 338 crianças tornaram-se vegetarianas ao fim de algum tempo durante o estudo. As crianças foram acompanhadas durante quase três anos. Ao longo deste tempo, não houve diferenças significativas entre as crianças vegetarianas e não vegetarianas no que diz respeito ao índice de massa corporal, altura, níveis séricos de ferritina e níveis de vitamina D. 

No entanto, as crianças vegetarianas eram quase duas vezes mais suscetíveis de terem um peso inferior ao das crianças não vegetarianas.

De acordo com o comunicado de imprensa dos autores do estudo, ter peso a menos pode ser um sinal de desnutrição e indicar que a dieta não é suficiente para sustentar um crescimento adequado. Detalhes específicos relativos à ingestão ou qualidade alimentar, e atividade física, não estavam disponíveis para os investigadores. Os dados em questão poderiam influenciar a análise do crescimento e nutrição dos participantes.

Segundo os autores, estudos com períodos de acompanhamento mais longos e informação sobre motivações alimentares vegetarianas, tais como o estatuto socioeconómico, seriam benéficos para a compreensão das ligações entre o desenvolvimento das crianças e o vegetarianismo.

Os resultados salientam “a necessidade de um planeamento dietético cuidadoso para crianças com peso inferior ao normal quando se considera adotar dietas vegetarianas”, comentou Maguire.

“As crianças com peso baixo, tanto vegetarianas como não vegetarianas, eram semelhantes, mais novas e de origem asiática”, relatou Amy Kimberlain, nutricionista dietista registada e porta-voz da Academia de Nutrição e Dietética. A nutricionista não estava envolvida no estudo.

“A etnia pode certamente ter desempenhado um papel na constatação do peso”, disse Maya Adam, uma professora assistente clínica no departamento de pediatria da Stanford School of Medicine, que também não estava envolvida no estudo.

As crianças asiáticas “eram presumivelmente de ascendência indiana oriental, porque este subgrupo da caixa demográfica ‘asiática’ é muito mais suscetível a praticar o vegetarianismo”, disse Adam via e-mail. “Na Índia, as taxas de crescimento das crianças diferem das taxas dos Estados Unidos da América. Estima-se que em média uma rapariga de 5 anos na Índia pese 17 quilos e tenha cerca de 108 centímetros de altura. Nos EUA, uma rapariga com a mesma idade e altura deverá pesar 18 kg.”

Independentemente disso, “é importante que as crianças sejam monitorizadas relativamente ao seu crescimento, seja qual for a sua dieta”, disse Kimberlain. “Uma dieta vegetariana pode ser uma escolha saudável para todas as crianças.” O importante é assegurar-se de que é bem planeada. Com a ajuda de um nutricionista e dietista, o crescimento das crianças pode ser acompanhado, bem como as suas necessidades nutricionais, para garantir que está tudo a correr bem.

Diretrizes por país

Ao alimentar bebés e crianças com uma dieta vegetariana, os pais devem assegurar o consumo regular de ovos, laticínios, produtos de soja e frutos secos ou sementes, bem como legumes, frutas, feijões e lentilhas, grãos e óleos.

É preciso ter cuidado extra para incluir alimentos ricos em ferro e vitamina B12, uma vez que as fontes vegetais desses nutrientes são menos biodisponíveis em comparação com os produtos de origem animal. Os diferentes tipos de feijões, verduras de folhas escuras e batata doce são ricos em ferro. Por sua vez, as leveduras nutricionais, produtos lácteos e cereais são algumas fontes de vitamina B12. As diretrizes dispõem de uma tabela gráfica das porções apropriadas de cada grupo alimentar por dia.

As diretrizes canadianas sugerem que uma dieta vegetariana pode ser adequada para as crianças quando o leite e os ovos são incluídos.

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