O casal, que estava há várias horas numa esplanada, foi surpreendido pelos militares, "sem grande reação"
Foi a denúncia de uma moradora que permitiu à GNR localizar num café em Fátima a mãe e o padrasto suspeitos de abandonarem os dois irmãos franceses, de quatro e cinco anos, em Alcácer do Sal, a quase 200 quilómetros de distância.
Em entrevista à CNN Portugal, o tenente-coronel Carlos Canatário, porta-voz da GNR, explica que o casal já estava identificado, bem como as características e matrícula da viatura em que seguiam, pelo que quando receberam o alerta rapidamente perceberam que se tratavam das pessoas que procuravam.
"Foi a iniciativa desta senhora que permitiu à Guarda ter uma abordagem discreta e eficaz", aponta.
Esta senhora, que vive nas imediações, e viveu muitos anos em França, estranhou o facto de aquele homem e daquela mulher estarem "há tantas horas na esplanada" e estranhou também "a forma como lhe responderam" depois de conversar um pouco com eles.
"Depois do alerta, e porque já tínhamos o dispositivo em alerta desde o alegado abandono das crianças, tínhamos a informação das pessoas, tínhamos a informação da viatura, e isso permitiu-nos ir ao local de forma descaracterizada e discreta", descreve o porta-voz da GNR.
O casal foi por isso surpreendido pelos militares, "sem grande reação". "A abordagem foi feita nesses termos, para termos o elemento surpresa. Não foram hostis, não mostraram resistência, foram cooperantes", indicou.
A mãe das crianças e o padrasto vão passar a noite detidos no comando de Fátima, antes de serem presentes a juiz, em Setúbal, na tarde de sexta-feira, e até ao momento "não têm sido hostis e têm sido cooperantes", adianta apenas Carlos Canatário, não podendo adiantar mais sobre a investigação.
Era o padrasto que respondia
Segundo apurou a CNN Portugal, a moradora, ao perceber que o casal era francês, trocou algumas palavras com os suspeitos e era o padrasto que respondia, com a mãe das crianças a acenar apenas com a cabeça.
O homem contou que estavam nas redondezas, que não tinham um destino certo e que também não sabiam quanto tempo iam ficar por ali, que estavam a tentar recolher informações daquele sítio. Contou também, segundo a senhora que denunciou a presença dos dois à GNR, que estavam em viagem por Portugal há já algum tempo e que já tinham percorrido vários pontos do país.
No decorrer da conversa, o homem contou ainda que a sua família era da zona da Catalunha e que ele era um polícia reformado do exército francês. Falou inclusive um pouco de português, de acordo com a vizinha do café.
Foi após esta troca de conversa, que a mulher contacto a GNR, que, por sua vez, também avisou o dono do café do que iria acontecer antes de levar o casal para o comando.
