Como saber se está tudo bem com o seu filho: dicas para os pais mais preocupados com o início do ano letivo

10 set, 12:00
Pai e filho (Pexels)

Os mais novos tendem a ser mais abertos e disponíveis para falar, enquanto os adolescentes acabam por guardar tudo para eles. Um aviso: os pais não têm de ser os melhores amigos. Mas há como ficar a par de (quase) tudo o que se passa

Questionar os filhos sobre como foi o dia é um hábito para muitos pais, assim como ficar sem resposta, sobretudo na adolescência. A situação vai sendo rotineira, mas na dúvida de que algo se passa, o primeiro passo é “tentar sem pressão e sem interrogatório” conversar com a criança ou adolescente, mas não só. Os pais devem ter a noção de que “têm função de pais", e "os amigos de amigos”. Por isso, “há coisas que nos escapam, sim, não há como”, começa por explicar Gina Tomé, psicóloga da Educação e psicóloga clínica e da Saúde.

No entanto, isso não quer dizer que desistam à primeira. Muitas vezes, os filhos não falam de determinados temas com os pais por acharem que estes não os vão entender. E o segredo está em mostrar o contrário. “Devem transmitir aos jovens que os pais também já estiveram na escola, já tiveram medos, receios, que já passaram por dificuldades”, sugere a psicóloga. E assim que a criança ou adolescente começar a dar sinais de abertura, “pedir para que falem sem ter vergonha ou receio de os pais dizerem que é fraqueza e que não se sabe defender, esses clichés que às vezes dizemos até sem intenção, mas que ficam ali”. 

“Responder com ‘isso passa, é uma fase’, é claro que da próxima vez a criança não está à vontade para falar”, adianta Gina Tomé, deixando ainda uma dica para os pais e educadores: “Criar laços e relações com os nossos filhos, onde há abertura para que falem e sem que se sintam criticados, mas sim compreendidos”.

Quando questionada se devem ser os pais a dar o primeiro passo na conversa, a psicóloga clínica Marta Maria Fialho diz que isso é “irrelevante”, que o que importa é que “o assunto deve ser realizado em família, de forma descontraída para que o filho assuma com tranquilidade a nova etapa”. Criar momentos de partilha, como conversas sem tecnologia por perto ao jantar, pode ajudar a que o hábito de conversação se estipule e a criança ou adolescente fique mais à vontade para falar e até para questionar, acrescenta Gina Tomé.

“Não podemos esperar que os filhos contem tudo aos pais e pressionar está fora de questão, mas criar momentos de partilha ajuda a que partilhe”, diz Gina Tomé. 

Um outro conselho que a psicóloga dá, e que ajuda a que a relação com os pais seja mais aberta a conversas, é “compreender e respeitar o espaço privado da criança e jovem". "Não é por ser meu filho que posso invadir a privacidade”, continua: "Sem ser intrusivo, vamos criando espaços de partilha e vai-se tornando rotina. Se não, vou fechar-me completamente”.

E quais os sinais aos quais os pais devem ficar atentos? 

“Os pais devem estar alertas para pequenos sinais, tais como um comportamento mais inibido, elevada ansiedade, isolamento, necessidade de tapar o corpo, hematomas, maior reserva nos contactos físicos, isolamento, alterações do sono, reatividade e alterações de humor sem motivo aparente”, refere Marta Maria Fialho. 

A psicóloga Micaela Gonçalves, da Academia Transformar, aborda ainda “a mudança brusca de atitude” e o facto de a criança ou jovem “recusar-se a conversar sobre a escola”, podendo manifestar “explosões de raiva, comportamento desafiante, agressividade física e/ou verbal, faltar às aulas, entre outros”.

Entre os sinais aos quais os pais e educadores devem estar atentos, acrescenta, estão ainda o “foco excessivo em atividades escolares ou cognitivas (falta de equilíbrio entre tempo de trabalho e tempo de lazer), os professores expressarem preocupação, diminuição do rendimento escolar, queixas físicas (ex. alterações de apetite e/ou de sono)”.

Mas Gina Tomé alerta para o facto de a questão não ser tão linear quanto isso: “Não há regras, nem receitas, cada criança e cada jovem é diferente e emite sinais diferentes. Alguns nem sequer dão sinais, quando nos apercebemos já estão em sofrimento psicológico e a precisar de ajuda."

A psicóloga adianta que uma das melhores formas de os pais saberem se está ou não tudo bem com os filhos é manter o contacto com a escola. “Devido à nossa vida tão ocupada, é mesmo essencial o trabalho conjunto com os professores, porque as crianças passam mais tempo nas escolas do que em casa e os professores acabam por ser os primeiros a observar que algo não está bem”, adianta.

“Se a criança chega mais triste a casa, alguma coisa é, mas pode não ser grave. Posso perguntar, mas se não quiser responder, não vou estar a interrogar ou pressionar; se continuar, devo falar com os professor ou diretor de turma”, aconselha a psicóloga. Mas há trabalho que pode ser também feito em casa, acrescenta Marta Maria Fialho. 

“Caso o filho manifeste ansiedade ou inibição, é importante que os pais tentem compreender o motivo, as suas emoções e caso seja difícil para a criança verbalizar o que sente, podem orientar o pensamento e pedir por exemplo para escreverem numa folha os pontos fortes e fracos da escola”, aconselha Marta Maria Fialho. Caso a criança seja pequena, diz, “podem pedir para verbalizar o que gostaram mais e menos naquele dia. Desta forma, irá permitir compreender o que desencadeia a sua angústia e negação”. 

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