Continua a compensar construir em vez de comprar casa? Três obstáculos e uma conclusão

8 jul, 08:00
Trabalhadores

Há cada vez menos portugueses a pedir crédito para construir casa. Segundo o último barómetro do portal ComparaJá, relativo aos primeiros seis meses de 2022, apenas 8% dos pedidos de crédito à habitação se destinavam à construção. Um ano antes, representavam 18% do total

Obstáculo 1: Inflação e escassez de materiais

O preço dos materiais de construção está a aumentar desde o final de 2021. Se a subida da inflação ajudava a explicar esta tendência, ela acabou agravada com a situação da guerra na Ucrânia. Nesse sentido, a quantidade de materiais produzidos também tem sido cada vez menor.

“A escassez dos materiais de construção provocada pela guerra tem tido um impacto significativo na inflação – inflação essa que por si só tem também impactado (e muito) os preços dos tais materiais”, sintetiza João Melo, diretor de crédito habitação do portal ComparaJá.

É preciso ainda ter em conta que as sucessivas subidas no custo da energia tornam a produção e o transporte destes materiais mais caros.

Ou seja, se quer construir casa, convém prever uma margem no seu orçamento e no calendário das obras, que podem sofrer alterações face ao plano inicial devido à disponibilidade dos materiais de construção. Isto sem falar na falta de mão-de-obra que tem marcado o setor da construção civil e que se pode transformar numa dor de cabeça adicional na hora de encontrar uma empresa que lhe assegure a obra.

Obstáculo 2: Licenças Camarárias

Quem compra casa já pronta, não precisa de se preocupar com a mesma burocracia de quem constrói uma habitação de raiz. Uma das barreiras está precisamente no facto de cada vez mais câmaras estarem “saturadas de pedidos”, que “atrasam muito” o início da obra, segundo explica João Melo.

Obstáculo 3: Processo de crédito

Pedir um crédito para construção é um processo mais complexo, da burocracia pedida à postura mais exigente por parte das entidades bancárias.

Segundo João Melo, estas questões acabam por assumir um “papel preponderante no momento de decisão”, levando a que muitas famílias desistam da sua intenção de construir casa.

Este tipo de crédito tem, depois, a particularidade de o valor ser disponibilizado em tranches. Segundo o responsável do portal ComparaJá, “muitos bancos não disponibilizam a primeira tranche”, por considerarem esse valor como entrada, criando dificuldades adicionais a quem quer construir.

Conclusão: ainda compensa construir? Sim

Apesar destas barreiras, João Melo é categórico: continua a compensar construir casa.

“Em termos monetários irá sempre haver uma poupança associada à construção de uma casa comparativamente com a aquisição de uma habitação nova. As principais dificuldades na construção relacionam-se mais com logística do que propriamente com as questões financeiras”, resume.

Ou seja, se vai construir casa, convém que esteja preparado para imprevistos de agenda e que tenha preparado um valor, além do orçamento, para responder a eventuais subidas nos preços dos materiais de que precisa.

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