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"Temos uma relação estreita, não foi bonito dizer isso". Ex-assessor de Marcelo acusa Sales de ter mentido

25 out 2024, 16:00
Mário Pinto, ex-assessor da Presidência da República para a área da saúde (Tiago Petinga/Lusa)

Mário Pinto mantém a teoria de que a Casa da Presidência tinha muitos segredos, mas não se alonga quanto a argumentos ou eventuais cunhas.

Mário Pinto volta a repetir o que já tinha dito em exclusivo à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal): não falou com Lacerda Sales sobre as gémeas e a Casa da Presidência é um local de segredos. Sobre possíveis cunhas, nada diz, mas revela uma “fricção” com Maria João Ruela e diz não entender os motivos pelos quais a consultora para os Assuntos Sociais, Sociedade e Comunidades da Casa Civil do Presidente da República ficou com o caso das gémeas, tendo em conta que as competências em saúde eram suas.

O antigo assessor de Marcelo Rebelo de Sousa para a área da saúde revela ter uma “relação estreita” com Lacerda Sales, mas acusa o antigo secretário de Estado de ter mentido quando disse que os dois tinham falado sobre as gémeas na reunião de 6 de outubro. “Nego isso redondamente. O senhor Lacerda Sales também sabe disso”, atira. “Se não tinha conhecimento, como queria que falasse de uma coisa que não sei?”, diz, revelando que ficou a saber do caso das gémeas lusobrasileiras tratadas com o medicamento Zolgensma pela comunicação social.

“O senhor Lacerda Sales, sobre este assunto, não disse a verdade, a minha verdade”, vinca Mário Pinto, adiantando, mais à frente na audição, que “ele [Sales] disse aquilo para me envolver só”. O também médico de formação revela que Lacerda Sales lhe telefonou a dizer que o iria mencionar no caso das gémeas, mas que a chamada foi tão “rápida” que não houve tempo para pedir explicações. Ligou de volta, mas o antigo secretário de Estado não atendeu. “Não fiquei nada satisfeito [com o envolvimento]. E por isso não voltei a ligar [a Sales]”, diz, explicando que não voltou a tentar telefonar ao antigo secretário de Estado. 

O ex-consultor de Marcelo para os temas de saúde, várias vezes questionado sobre as suas declarações acerca dos segredos na Casa da Presidência - “Havia dever de sigilo”, explica -, mantém a sua versão, mas não respondeu sobre eventuais cunhas. “O que se fazia lá não era para divulgar. E não estou habituado a ter segredos”, diz, justificando assim a sua saída de Belém, em 2021, à qual, mais à frente, juntou o alegado arrufo com Maria João Ruela como um possível motivo. Sobre o facto de não ter ficado com o caso das gémeas, uma vez que era quem tratava dos assuntos de Saúde, Mário Pinto admite uma “fricção” com Maria João Ruela, revelando que “qualquer assunto assim mais importante, ela [Ruela] ficava com ele”, no entanto, diz não compreender isso. “Não encontro nenhuma razão para Maria João Ruela fazer esse trabalho que até era da minha competência”, vinca. “No início do mandato ainda me preocupei [com o facto de ser Ruela a ficar com esses temas], depois deixei de me preocupar”, adianta.

Mário Pinto afirma que não conhece Nuno Rebelo de Sousa e que apenas conheceu o Presidente da República quando foi trabalhar para a Casa da Presidência e garante que nunca mais entrou em contacto com Marcelo Rebelo de Sousa ou com Maria João Ruela desde que saiu. “Nunca mais falei com eles desde o dia em que saí”.

Quando questionado sobre pedidos que chegassem à Presidência, diz não ter conhecimento de pedidos para marcação de consulta, mas admite ter intervido em dois casos dentro da própria Casa da Presidência: um para uma já falecida funcionária, na altura, diagnosticada com cancro da mama e outro para o sogro de uma outra funcionária com cancro no pâncreas.

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