Ao fim de 37 audições parlamentares, duas delas com António Lacerda Sales, há ainda questões por responder sobre o caso das gémeas luso-brasileiras, conhecidas no hospital como “as meninas do Presidente”
Os partidos concordam com a suspensão durante três semanas dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao caso das gémeas tratadas com o medicamento Zolgensma no Hospital de Santa Maria. Os trabalhos são retomados a 26 de março. Cristina Rodrigues, relatora na comissão parlamentar de inquérito (CPI), promete entregar o relatório "o quanto antes".
A reunião desta quarta-feira cingiu-se ao pedido do PSD para a suspensão do prazo de funcionamento da CPI até 15 de abril, de modo a que os partidos tenham tempo para ler o relatório, que devia ter sido entregue esta quarta-feira de tarde mas que não foi devido ao debate da moção de censura, que acabou por ser chumbada. Esta é a terceira vez que o documento não é entregue, depois de a deputada do Chega Cristina Rodrigues ter falhado os dois prazos previstos - 20 de fevereiro e 28 de fevereiro, este último a pedido da mesma.
A comissão parlamentar de inquérito ao caso das gémeas, que começou no verão passado, ficou marcada por contradições - com o antigo secretário de Estado da Saúde Lacerda Sales a empurrar responsabilidades para a sua então secretária pessoal, algo que a própria Carla Silva desmentiu -, mas sobretudo por pontas soltas que ainda hoje carecem de resposta.
Ao fim de 37 audições parlamentares, duas delas com António Lacerda Sales, há ainda questões por responder sobre o caso das gémeas luso-brasileiras, conhecidas no hospital como “as meninas do Presidente”. E algumas dúvidas só mesmo Marcelo Rebelo de Sousa é que as podia esclarecer. No entanto, o Presidente da República manteve a expectativa durante todos os meses de audição, mas acabou por não aceitar o convite dos deputados para depor na comissão parlamentar de inquérito, justificando que “não há matéria” para se pronunciar.
Com algumas pausas e férias pelo meio, ao longo de sete meses e 37 audições, e como mostra o relatório da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS), levado a cabo depois da transmissão da reportagem da TVI e que deu origem a esta comissão, ficou provado que houve irregularidades no acesso das bebés à consulta no hospital público. E as inspetoras da IGAS envolvidas no relatório não hesitaram em apontar o dedo a Lacerda Sales - que, segundo Luís Pinheiro, à data dos factos diretor clínico do Santa Maria, ia perguntando sobre o estado clínico das bebés quando estas já estavam sob cuidados médicos no hospital lisboeta.
