"Este conselho de ministros é uma cortina de fumo. Os covilhanenses não precisam de cortinas de fumo, já cá temos muitas"

22 ago 2025, 00:28

Embora reconheça a importância das medidas anunciadas, o presidente de uma das autarquias mais afetadas pelos incêndios deste verão considera que as palavras do chefe do Executivo ficaram muito aquém do que seria necessário

O presidente da Câmara da Covilhã criticou esta quinta-feira a declaração feita pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que anunciou 45 medidas de combate aos incêndios e planos para a floresta. Para Vítor Pereira, eleito pelo PS, a comunicação do Governo não trouxe respostas à altura da crise que o concelho enfrenta.

“Este conselho de ministros, e vou dizê-lo com todas as letras, mais não é do que uma cortina de fumo. É uma cortina de fumo que se lança sobre este grave problema dos incêndios e é também uma clara admissão por parte do Governo da República da sua incapacidade para agir perante uma catástrofe. É mais um apagão do Governo. Os covilhanenses não precisam de cortinas de fumo, que já cá temos muito”, afirmou o autarca na CNN Portugal.

Embora reconheça a importância das medidas anunciadas, o presidente de uma das autarquias mais afetadas pelos incêndios deste verão considera que as palavras do chefe do Executivo ficaram muito aquém do que seria necessário.

“Sinceramente, não senti a proximidade que o primeiro-ministro falou esta tarde. As medidas que hoje foram anunciadas são importantes e bem-vindas, mas não se consegue entender que a única coisa que o Governo tem para dizer é que vai apoiar os que ainda estão a perder tudo o que construíram durante toda uma vida. Não entendo como os responsáveis do nosso país não nos dizem como devemos trabalhar nesta batalha, quais são os reforços que estão previstos, se há mais bombeiros ou meios aéreos.”

O autarca reforçou ainda que, “não fosse a força dos nossos bombeiros, esta calamidade já seria pior”. Lamenta a falta de respostas concretas sobre eventuais reforços de operacionais, militares ou meios aéreos.

Sobre a atual situação no terreno, a autarquia mantém-se preocupada, sobretudo em zonas como Unhais da Serra. “Tinha a expectativa que a situação nesta região melhorasse nos últimos dias, mas a verdade é que o fogo é traiçoeiro e aquilo que constatamos é que temos uma situação caótica, perigosíssima em Unhais da Serra, e que poderá, lamentavelmente, não ficar por aqui. Eu, que sou um otimista moderado, antevejo o pior e não o melhor neste contexto que estamos a viver.”

Questionado sobre a possibilidade de evacuações, Vítor Pereira admitiu que tal poderá vir a acontecer, embora defenda antes “confinamentos”, desde que as populações fiquem "em locais seguros".

“Têm sido dias absolutamente desesperantes. Já ardeu mais área no concelho da Covilhã do que em todo o perímetro do incêndio de 2022 na Serra da Estrela. É porventura o maior incêndio de sempre na Covilhã", sublinhou, acrescentando que "estamos entregues a nós próprios, porque este sistema não funcionou, não funciona e, se assim continuar, nunca funcionará”.

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