5 factos sobre a dor de cabeça e a covid. Permanecem após a infeção e são "sinal de aviso"

19 jan, 16:55
Vacinação

Neurologista Isabel Pavão Martins afirma que as dores de cabeça, um dos sintomas mais comuns no diagnóstico da covid-19, permanecem após a alta hospitalar, mas tendem a diminuir ao longo do tempo. Não se sabe ao certo a origem das cefaleias, mas pensa-se que poderá ter a ver com alterações inflamatórias desencadeadas pela infeção

As dores de cabeça são um dos sintomas mais frequentes da infeção por covid-19, tanto por quem está a lidar com a doença, como por quem já foi considerado curado da infeção. Esta dor pode ter várias manifestações, podendo ser parecida a uma enxaqueca, ou ser mesmo a primeira manifestação da doença antes de qualquer outro sintoma.

Isabel Pavão Martins, neurologista responsável pela consulta de cefaleias no Hospital de Santa Maria, explica à CNN Portugal cinco factos relevantes sobre a ligação entre a ocorrência de dores de cabeça e a doença covid-19.

1. As dores de cabeça funcionam como um sinal de aviso, mas “não se sabe bem porquê”

No espectro de sintomas relacionados com uma infeção por covid-19, Isabel Pavão Martins destaca que as cefaleias são “um dos sintomas mais frequentes da infecção Covid-19” e que isto se verifica tanto nas nas outras variantes como na Ómicron. “A dor de cabeça é ainda considerada um sinal de aviso para esta infeção, porque tem uma especificidade de 90% para a presença do SARS-CoV-2, juntamente com a febre, a fadiga e as dores musculares”.

A médica afirma que “não se sabe bem porque acontece”, ou “porque acontece nalgumas pessoas”, mas pensa-se que as alterações inflamatórias desencadeadas pela infeção possam causar a dor de cabeça. “Tanto quanto sei não há descrições das dores de cabeça específicas para a variante Ómicron”, afirma.
 

2. Vacina pode atenuar todos os sintomas, incluindo cefaleias

Isabel Pavão Martins realça que uma das diferenças da variante Ómicron relativa às outras variantes é “a menor frequência de alterações do olfato e do paladar”. Pelo que a identificação das dores de cabeça ganha relevância, porque os anteriores sintomas que alertavam as pessoas para a possibilidade de estarem infetadas pelo coronavirus já não estão presentes.

A especialista destaca que os dados existentes relativos à variante Ómicron mostram que esta estirpe “tem sintomas mais leves que as outras variantes”, contudo, salienta que a informação disponível é “genérica”. Ou seja, “tanto se reporta à população vacinada como à não vacinada”.  Mas, afirma ainda a médica, “é possível que a proteção dada pela vacina tenha contribuído para atenuar significativamente todos os sintomas, incluindo as dores de cabeça”.

3. Casos de dor de cabeça vão diminuindo ao longo do tempo

Isabel Pavão Martins refere que há várias publicações sobre as dores de cabeça associadas à covid-19, sendo que “se estima que 47% das pessoas têm dor de cabeça na fase aguda da infeção”. Este sintoma, salienta, “é curiosamente mais frequente nas pessoas não internadas (58%), do que nas internadas (31%). 

“Existem estudos que indicam que a presença de dor de cabeça na altura do internamento poder ser um factor de bom prognostico quanto à evolução da doença”, afirma a neurologista, revelando que a frequência de dor de cabeça vai “diminuindo com a passagem do tempo”. “Os casos com dor de cabeça baixam para 10 a 16% ao fim de 1 a 3 meses após o internamento, e 8% aos 6 meses após a alta. 

4. Dor de cabeça pode ser "incapacitante" e desencadear crise em pessoas com enxaquecas

Segundo a especialista, a dor de cabeça pode ter vários tipos, “ou seja, pode ser parecida com uma enxaqueca ou ser mais inespecífica, sendo que muitas vezes é acompanhada de febre”. Outras vezes, por exemplo, é “a primeira manifestação da doença ainda antes dos outros sintomas”.

Este sintoma, em alguns casos, pode ser “intenso, incapacitante e prolongar-se mais tempo do que a própria infeção aguda”, explica Isabel Pavão Martins, sublinhando que tem visto essa característica “nalguns doentes, sobretudo naqueles que já têm propensão para dores de cabeça”. 

“Por exemplo, em pessoas com enxaqueca, a infecção por covid-19 pode desencadear uma crise de enxaqueca mais intensa, mais longa e mais resistente ao tratamento do que as crises habituais de enxaqueca”, refere a especialista que acrescenta que este tipo de sintomas também é registado em outras infeções virais.

5. Dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns em casos de covid longo

A CNN Portugal falou com várias pessoas que, após terem estado infetadas com o coronavírus, registaram sintomas como falta de concentração, excesso de cansaço, insónias, alterações nos ciclos menstruais e, especialmente, dores de cabeça.

Sobre este ponto, a neurologista sublinha que, no que diz respeito ao covid longo, ou seja a pessoas que mantêm sintomas meses após estarem curadas de uma infeção, “a dor de cabeça é um dos sintomas mais comuns”, além da sensação de "confusão mental, “associada a dificuldades cognitivas e fadiga cronica”.

Veja também o vídeo: Mais de 9 mil casos de covid-19 diários entre as crianças depois do regresso às aulas

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