21% dos casos e 6% das mortes desde o início da pandemia. Os números que dizem tudo sobre a sexta vaga da covid-19

Agência Lusa , CF
2 jun, 09:02
Máscara de proteção facial no chão. (AP Photo/Francois Mori)

Os especialistas alertam que o aumento de infeções pode estar relacionado com o fim da obrigatoriedade do uso de máscara e o crescimento das novas linhagens. São recomendadas medidas de proteção individual e a vacinação de reforço

Os quase 990 mil casos confirmados em abril e maio representam 21% das infeções desde o início da pandemia de covid-19 e as 1.455 mortes nesses dois meses constituem cerca de 6% do total de óbitos.

Nos últimos dois meses, o país entrou na sexta vaga da pandemia, registando, segundo os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), um total de 988.307 casos: 288.059 em abril e 700.248 em maio, que significam 21% das 4.717.243 infeções notificadas por Portugal à Organização Mundial da Saúde (OMS) à data de quarta-feira.

Apesar de um em cada cinco casos de infeção pelo SARS-CoV-2 ter sido registado nos últimos 60 dias, os 1.455 óbitos registados nesse período representam apenas cerca de 6% do total de 23.150 mortes comunicadas à OMS desde que, em 16 de março de 2020, se verificou a primeira vítima mortal por covid-19 em Portugal.

O aumento significativo de infeções registado nas últimas semanas deve-se, segundo os especialistas, ao fim da obrigatoriedade generalizada do uso de máscara desde 21 de abril, numa altura em que a incidência estava nos 556 casos por 100 mil habitantes, mas também ao crescimento de uma nova linhagem da variante Ómicron do SARS-CoV-2.

Detetada pela primeira vez entre o final de março e o início de abril, a BA.5, que tem revelado uma maior capacidade de transmissão, ganhando terreno à antecessora BA.2, é esta semana já responsável por cerca de 87% das infeções confirmadas no país, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Henrique Oliveira, matemático do Instituto Superior Técnico (IST) e que integra o grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia dessa instituição, adiantou à Lusa que Portugal está agora com um índice de transmissibilidade (Rt) do vírus de 0,96 e “numa situação de planalto” que se deve manter ao longo desta semana, sendo expectável uma “queda acentuada de casos a partir de meados de junho”.

O especialista em sistemas dinâmicos projetou que, apesar da prevista redução do número de infeções, os “internamentos em enfermaria e cuidados intensivos e os óbitos vão manter-se elevados até 25 de junho”, uma vez que o país deve ter cerca de 200 mil pessoas infetadas atualmente.

O matemático, que é também um dos responsáveis pelo Indicador de Avaliação da Pandemia desenvolvido em colaboração entre o IST e a Ordem dos Médicos, reforçou ainda a previsão de que, devido a isolamentos e baixas médicas por covid-19, esta sexta vaga levou à perda de “30 milhões de horas de trabalho” em Portugal, sendo este valor o “limiar mínimo” para esse indicador.

Apesar de o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus estar a baixar, a DGS e o INSA alertaram, na última sexta-feira, que a epidemia de covid-19 mantém uma incidência muito elevada, com tendência crescente, sendo expectável o aumento da procura de cuidados de saúde e da mortalidade, em especial nos grupos mais vulneráveis.

Perante esta projeção, estas entidades salientam que deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica, recomendando também fortemente o reforço das medidas de proteção individual e a vacinação de reforço.

Em 18 de maio entrou em vigor a contabilização das suspeitas de reinfeção, com a atualização retrospetiva dos casos acumulados.

De acordo com a DGS, os novos casos passam a incluir as primeiras infeções e as reinfeções pelo SARS-CoV-2.

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