Estes portugueses já vacinaram os filhos mais pequenos (e não tiveram qualquer problema)

7 dez 2021, 18:00
Vacinação de crianças. Foto: AP
Vacinação de crianças. Foto: AP

No Canadá, nos EUA e em Israel já é possível a vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos (tal como será agora em Portugal). Para as famílias portuguesas que vivem nestes países, o acesso a informação de qualidade foi determinante na hora de decidir, procurando a opinião de especialistas nos seus círculos mais próximos

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“Perguntei a amigos médicos e investigadores se iam vacinar os filhos. Se eles que são especialistas o fazem, isso dá-me mais confiança.” Para Constança Medeiros, vacinar os filhos contra a covid-19 sempre foi uma certeza. O tema fez parte de várias conversas com o marido. Ambos sentiram necessidade de ter mais informação, para dar força à decisão.

Constança Medeiros vive em Manhattan Beach, nos arredores de Los Angeles. Os três filhos – dois gémeos com sete anos e uma rapariga com nove – já receberam a vacina que os protege contra o SARS-CoV-2. Até porque os Estados Unidos da América foram um dos países dianteiros na vacinação contra a covid-19 de crianças entre os 5 e os 11 anos – um passo que em Portugal também já recebeu luz verde da Direção-Geral da Saúde, confirmando as diferentes vontades políticas nesse sentido.

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Segundo a Casa Branca, mais de 4 milhões de crianças americanas já receberam pelo menos uma dose. Os filhos desta portuguesa integram esse balanço. Nesta quarta-feira recebem a segunda dose da vacina da Pfizer-BioNTech, numa quantidade adaptada ao corpo dos mais pequenos. “A distribuição das vacinas foi feita através das escolas. É o distrito escolar que gere o processo. É tudo voluntário, só tivemos de marcar um ‘slot’ para os nossos filhos”, explica à CNN Portugal Constança Medeiros, que é professora universitária.

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Outra das formas possíveis nos Estados Unidos para que as crianças acedam à vacina é através dos pediatras - nestes casos porque querem perceber melhor as implicações de administrar o fármaco aos filhos. Os pais têm dúvidas e, tal como Constança Medeiros, querem ter acesso a informação fidedigna para poder decidir. “Apesar de a vacina ser uma tecnologia nova, compreende-se bem como funciona.”

Vacinar um filho não foi, nesta casa com raízes portuguesas, uma estreia. E até parece ter corrido melhor do que outras experiências passadas: “Os meus filhos são vacinados todos os anos contra a gripe. O que me disseram foi que não ficaram com o braço tão dorido com a vacina da covid-19”.

Adesão sem urgência

Foi também a confiança nas autoridades de saúde, desta feita canadianas, que levou Michelle Guerreiro Marsden a vacinar os dois filhos com menos de 10 dez anos. O outro, com 14, já tinha sido inoculado no verão: por frequentar uma escola privada, os acessos ficaram mais simples. Caso contrário, a testagem regular seria uma exigência.

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Ter o filho mais velho inoculado, sem qualquer problema associado, implicou menos ponderação para o caso concreto dos mais novos. “Temos fé na ciência, até porque já tínhamos passado por essa experiência diretamente. Não era como se fosse uma vacina nova. Os procedimentos estão bem testados”, conta esta portuguesa a viver em Oakville, nos arredores de Toronto.

O Canadá começou no final de novembro a vacinar crianças dos 5 aos 11 anos. Para o efeito, o governo de Justin Trudeau preparou quase três milhões de doses pediátricas. Para recebê-las, as famílias devem fazer o registo dos filhos numa plataforma digital e dirigir-se depois ao centro de vacinação.

“As miúdas não sentiram dores. No recobro receberam umas páginas com atividades [para se entreterem]. Ficaram 15 minutos. Contaram-me que lhes doeu um pouco o braço. A mais velha teve dores de cabeça. Ficou em casa só um dia. A outra foi logo para a escola”, conta esta mãe, dedicada em exclusivo a cuidar dos filhos. A dor no local da injeção é, tanto nos adultos como nas crianças, um dos sintomas mais comuns.

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Mesmo que a vacinação não seja obrigatória no Canadá, esta emigrante diz sentir que há uma vontade geral da população para ter esse tipo de proteção, até porque torna mais simples a logística nas viagens ao estrangeiro. “Não tem havido é uma grande urgência no processo. Quando começaram a vacinar havia. Agora que já não estamos confinados e a vida está razoavelmente normal, notei que fui uma das primeiras na vacinação para as crianças”, refere por telefone à CNN Portugal.

A importância da comunidade

Para Cristina Mota, bem como para o marido, vacinar o filho de 11 anos era o caminho natural. Na semana passada recebeu já a segunda dose. Esta engenheira informática e investigadora a viver em Nova Iorque, nos EUA, conta que a comunidade onde vive ajudou a tirar tornar mais imediata a decisão, permitindo o acesso a informação de qualidade. Na escola do filho, diz, existem muitos pais “ligados à investigação” a trabalhar inclusivamente nas vacinas contra a covid-19.

“Foi tudo bastante fácil. Doeu um bocadinho no braço só. De resto ele não teve quaisquer complicações”, recorda esta emigrante. Quando abriu a inscrição para vacinar, Cristina Mota registou logo o filho na plataforma que as autoridades de saúde norte-americanas criaram para o efeito. Mas acabaria por ser surpreendida pela rapidez do processo: a escola, pública, anunciou logo que ia ter um espaço de vacinação. “Mantive a primeira, pelo sim pelo não.”

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Vacinação de crianças em Israel (Foto: AP)

Dor no braço, a queixa comum

A dor no braço sentida pelos filhos destas portuguesas a viver na América do Norte é também motivo de conversa do outro lado do mundo, em Israel. No início de dezembro, dez dias depois de iniciar a vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos, as autoridades de saúde de Israel davam conta de que não existiam casos de reações preocupantes à vacina da Pfizer/BioNtech na sua versão pediátrica. De uma forma geral, sentem dor no braço onde levaram a picada – mas nada de significativo.

A CNN Portugal chegou ao contacto com uma mãe portuguesa a viver neste país do Médio Oriente, que reconheceu que vai vacinar os filhos em breve. Por questões de agenda não esteve disponível para explicar como foi possível o processo em Israel, considerado sempre um dos países precursores no que respeita à vacinação contra a covid-19.

Por sua vez, Lídia Cordeiro, que vive nos arredores de Tel Aviv, não teve de a decisão de vacinar menores porque o filho já é adulto. Ainda assim, por telefone, conta como tem sido o processo no país: “No início a adesão não foi muita. Mas depois as pessoas começaram a ver que quanto mais crianças estão vacinadas mais diminui a taxa de infeção. A nova vaga começou precisamente pelas crianças”. Esta fundadora de uma organização não governamental acrescenta que a decisão de vacinar tem outra vantagem para os pais: facilita a entrada das crianças nas escolas, sem necessidade de uma testagem tão recorrente.

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Demora nacional

Em Portugal, depois da luz verde da Agência Europeia do Medicamento, faltava apenas a decisão da Direção-Geral da Saúde para a vacinação entre os 5 e os 11 anos. Como avançou a CNN Portugal, a comissão técnica deu um parecer favorável, necessário para que a equipa de Graça Freitas anunciasse formalmente a decisão ao país - confirmada esta terça-feira.

Mas ainda antes do anúncio, as diferentes forças políticas, do Governo ao Presidente da República, já faziam saber que desejavam a vacinação dos mais novos. Portugal já comprou cerca de 300 mil doses pediátricas para esse efeito. O primeiro-ministro, António Costa, chegou mesmo a avançar com uma data para o início do processo: 20 de dezembro.

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