Covid-19: China diz que ainda não detetou casos da sublinhagem XBB.1.5 da Ómicron

Agência Lusa , DCT
14 jan, 09:00
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Entre 1 de dezembro de 2022 e 10 de janeiro de 2023, a China registou um total de 19 subvariantes da Ómicron em todo o país, tendo as subvariantes BA.5.2 e BF.7 predominado sobre as demais, detalhou

A China não detetou até ao momento qualquer caso de transmissão local da sublinhagem XBB.1.5 da variante Ómicron, afirmou um especialista em virologia que integra a equipa de prevenção de doenças daquele país asiático.

De acordo com o investigador do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China, Chen Cao, citado pela agência estatal Xinhua, desde outubro foram relatados na China 16 casos de infeções locais por subvariantes da Ómicron XBB.

Segundo Chen Cao, o XBB.1.5 fortaleceu a transmissibilidade do vírus em todo o mundo e, desde 12 de janeiro, infeções por essa sublinhagem foram relatadas em pelo menos 40 países e regiões.

Entre 1 de dezembro de 2022 e 10 de janeiro de 2023, a China registou um total de 19 subvariantes da Ómicron em todo o país, tendo as subvariantes BA.5.2 e BF.7 predominado sobre as demais, detalhou.

A rápida disseminação do vírus na China nas últimas semanas lançou dúvidas sobre a fiabilidade dos números oficiais, que reportaram apenas um muito reduzido número de mortes recentes pela doença, apesar dos inúmeros relatos de hospitais sob pressão.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, garantiu na semana passada que a China não está a dar números completos de mortes por covid no atual surto, o que impede que se conheça a verdadeira dimensão da doença até a nível global.

A China defende que tem partilhado os seus dados "de forma aberta, atempada e transparente" desde o início da pandemia, e pediu à comunidade internacional que evite "politizar a pandemia" devido às restrições impostas aos viajantes provenientes daquele país, como a exigência por parte de alguns países da apresentação de testes de PCR.

Da mesma forma, Pequim pediu "transparência" aos Estados Unidos, instando este país a divulgar "informações e dados" sobre as infeções de XBB.1.5, que já representam cerca de 40% dos casos de covid-19 naquele país.

De acordo com um estudo da Universidade de Pequim, cerca de 900 milhões de pessoas já foram infetadas pelo coronavírus SARS-CoV-2 na China após o país ter acabado com a política de 'zero Covid' e optado por um controlo mais moderado da pandemia.

No entanto, outros especialistas chineses acreditam que o pico de incidência de casos de covid na China continuará "até fevereiro ou março", como previu recentemente o ex-epidemiologista-chefe do Centro de Controle de Doenças da China Zeng Guang.

Na Europa, a subvariante XBB.1.5 da variante Ómicron poderá ser a dominante nos próximos dois meses, provocando um “aumento substancial” de casos de covid-19, estimou na sexta-feira o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

“Existe uma probabilidade moderada de a XBB.1.5 se tornar dominante na UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] e provocar um aumento substancial do número de casos de covid-19 nos próximos dois meses”, adiantou o ECDC na avaliação de risco sobre a sublinhagem considerada mais transmissível do que as anteriores.

O último relatório do Instituto Ricardo Jorge (INSA), divulgado na passada terça-feira, indica que foram identificados em Portugal 36 sequências da linhagem recombinante XBB em Portugal, entre as quais uma da XBB.1.5, que “tem suscitado elevado interesse devido à sua capacidade de evasão ao sistema imunitário e ao seu recente aumento de frequência em vários países”.

Esta sublinhagem foi detetada pela primeira vez nos EUA em outubro de 2022 e, desde então, tem sido identificada num número crescente de países.

O ECDC tem monitorizado toda a linhagem XBB como variante de interesse (VOI), mas, a partir de quinta-feira, classificou a XBB.1.5 como uma VOI em separado.

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